Pedro Nuno Santos voltou a usar as redes sociais para expressar as suas opiniões políticas — como tem feito ocasionalmente desde que deixou de ser líder do PS –, desta vez com uma publicação intitulada “o país que não vai de férias” para falar dos incêndios e do país que “só é falado durante as férias” — o interior.

“Casas e terras abandonadas, idosos sozinhos no interior, famílias a viverem com salários baixos, jovens sem perspetivas de futuro na terra onde nasceram”, enumera o socialista: “Mais de 2/3 do território nacional está sistematicamente ausente dos grandes debates nacionais e dos orçamentos do Estado, apesar de durante o mês de Agosto estar todos os dias nas nossas televisões. Lá para Outubro voltará a desaparecer das nossas televisões”.

Assim, prevê o ex-líder do PS, as pessoas que vivem nestas zonas serão esquecida durante o resto do ano. “É assim há décadas e todos temos responsabilidades. Na hora da verdade, o pouco investimento público nacional vai para o litoral e quase sempre para os mesmos sítios”. É preciso, por isso, apostar a sério no desenvolvimento do interior, argumenta.

A conclusão? Para o socialista, “continuar a confiar no mercado para desenvolver o interior é só insistir no erro”, e por isso tanto o mercado como a “ausência” do Estado: “São os responsáveis pelo despovoamento do interior”.

“É preciso Estado, uma estratégia e investimento público a sério”, defende o socialista, antecipando críticas: “E não vale a pena virem com o argumento do custo financeiro. Um país concentrado no litoral fica muito mais caro (…) Não deixa de ser paradoxal que o país que sempre se queixou de ser pequeno ainda se tenha reduzido a uma pequena e estreita faixa do litoral”.

Desde que deixou a liderança do PS, sendo sucedido por José Luís Carneiro, Pedro Nuno Santos tem deixado as suas opiniões sobre vários tópicos políticos nas redes sociais. Já o fez para comentar a guerra comercial provocada pelos Estados Unidos, mas também a intenção do Governo de revogar o direito dos pais a três dias por luto gestacional (“mesquinhez, insensibilidade e ignorância”, escreveu) ou para defender que a UE mostra a sua “fragilidade, impotência e subserviência” em relação aos EUA. O ex-líder do PS continua, para já, como deputado no Parlamento, que agora está fechado para as férias de verão.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]