O nome de Andriy Parubiy estava na lista dos mais procurados da Rússia desde novembro de 2023. A Justiça russa acusou o antigo presidente do Parlamento ucraniano e antigo conselheiro de Segurança Nacional de “ações criminosas” por ter dado luz verde a “inúmeros ataques a áreas povoadas das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk em 2014” que Moscovo alega que causaram mais de 1.200 mortos. “É muito importante identificar todos os culpados envolvidos”, prometia o Comité de Investigação russo pertencente ao Ministério.
Ao longo da sua carreira, Andriy Parubiy sempre tentou evitar que a Ucrânia se transformasse num satélite da Rússia — e empenhou-se em aproximar o país do Ocidente. O político desempenhou um importante papel na política do país imediatamente após os protestos do Euromaidan, quando milhares de ucranianos saíram às ruas para protestar contra o alinhamento do antigo Presidente, Viktor Yanukovych, com o Kremlin.
Devido à mobilização popular, o regime de Viktor Yanukovych foi deposto e o antigo Presidente fugiu para a Rússia. Seguiu-se um período conturbado na política ucraniana, ao mesmo tempo que a Rússia anexava a península da Crimeia e começava uma guerra por procuração (através de milícias pró-russas) no leste da Ucrânia, em particular no Donbass. Foi no meio desta turbulência que Andriy Parubiy ocupou os cargos mais importantes da sua vida política.
Nos protestos do Euromaidan, Andriy Parubiy foi um dos principais organizadores. Nascido em Lviv, desde muito cedo se rebelou contra a influência russa na Ucrânia. Antes da dissolução da União Soviética, chegou a integrar uma organização que visava a independência ucraniana e até foi detido pelas autoridades soviéticas por participar numa manifestação ilegal.
▲ Andriy Parubiy participa numa manifestação contra o governo de Viktor Yanukovych em 2014
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Quando a União Soviética se dissolveu e a Ucrânia se tornou independente, o político nascido em Lviv integrou o partido político mais à direita no panorama político ucraniano que utilizava símbolos associados ao neonazismo. Durante cerca de seis anos, liderou a organização paramilitar Patriota da Ucrânia. Em 2004, Andriy Parubiy foi um dos principais protagonistas na Revolução Laranja — uma série de protestos contra a eleição de Viktor Yanukovych, que a oposição acusava de fraude eleitoral.
Em 2007, Andriy Parubiy estreou-se como deputado no Parlamento e foi eleito por um partido de centro-direita chamado a Nossa Ucrânia, tendo-se moderado politicamente. Cinco anos depois, mudou de partido político e transitou para a União Ucraniana Pátria, pelo qual foi novamente eleito parlamentar.
O papel de Andriy Parubiy no Euromaidan foi fundamental, mobilizando os manifestantes e a sociedade civil no final de 2013 para participarem nos protestos que derrubaram o governo. Quando Viktor Yanukovych fugiu para a Rússia, o político de Lviv tornou-se o conselheiro de Segurança Nacional, ainda que tenha ficado menos de seis meses no cargo. Foi durante o desempenho das funções que a Rússia o acusou de perpetrar um “massacre” na cidade ucraniana de Odessa, ao ter ordenado um incêndio na Casa dos Sindicatos que resultou na morte de 42 pessoas.
Depois de o antigo Presidente Petro Poroshenko ter aceitado a sua demissão em agosto de 2014, Andriy Parubiy criou um partido de direita chamado Frente Popular e foi reeleito para o Parlamento em outubro. Dois anos depois, foi nomeado presidente do parlamento ucraniano, saindo do cargo em 2019 na sequência das eleições parlamentares, em que voltou a ser eleito deputado.
Nas eleições presidenciais que opuseram Petro Poroshenko a Volodymyr Zelensky em 2019, Andriy Parubiy apoiou o primeiro. O político de Lviv sempre teve uma relação muito próxima com o ex-Presidente. No X, o antigo chefe de Estado deixou uma homenagem ao seu “camarada de armas”: “Era um grande homem e um amigo verdadeiro”.
“Estivemos no Euromaidan juntos, sobreviveu aos anos mais duros da guerra e ajudou que o Estado ucraniano se afirmasse. A sua coragem, sacrifício e devoção à Ucrânia permanecerá para sempre no coração de milhões”, escreveu Petro Poroshenko, que criticou o “ato de terror” dos russos.
На жаль, це правда. Мого багаторічного бойового товариша ще з початку 2000-х, побратима Андрія Парубія нелюди застрелили у Львові.
Що точна можна сказати — ці потвори бояться і через це вбивають справжніх патріотів та сильних людей. Майдан, 11 років війни, величезний внесок у… pic.twitter.com/EaBD45hXR9
— Петро Порошенко (@poroshenko) August 30, 2025
Desde o início da invasão da Ucrânia, Andriy Parubiy se afastara da vida política ucraniana. Os últimos anos da sua carreira ficaram marcados por uma controversa investigação judicial que o acusava de “interferência eleitoral”. Mesmo mais resguardado, o político de 54 anos foi, este sábado, morto a tiro em Lviv durante o dia por uma estafeta, num “assassínio horrível”, como descreveu no X Volodymyr Zelensky.
Esta não é a primeira vez que tentaram assassinar Andriy Parubiy. Em 2014, atiraram uma granada contra o político no centro de Kiev, mas acabou por sobreviver. Desta vez, com oito tiros, o homem não resistiu. Para Petro Poroshenko, não há dúvidas: mesmo que estivesse agora afastado dos holofotes, foi uma “vingança” da Rússia, que ainda não reagiu oficialmente a esta morte.