Um ataque a um autocarro numa paragem no colonato de Ramot, em Jerusalém Oriental matou seis pessoas e fez dez feridos, segundo a última contabilização das autoridades israelitas. Os dois atiradores suspeitos foram mortos naquele momento, explicam as mesmas, que garantiram ainda que os dois suspeitos terão vindo da Cisjordânia.

Quatro pessoas foram dadas como mortas no local do ataque e duas num hospital da região, onde se encontravam também oito feridos, cinco dos quais em estado grave, noticiou o jornal Times of Israel, citado as organizações de socorro.

Imagens do atentado mostram a multidão junto ao autocarro a fugir quando se ouvem os disparos. Os atiradores, de acordo com o jornal israelita, terão usado uma metralhadora adaptada tipicamente usada na Cisjordânia.

“Eu estava no autocarro. Estava à pinha”, disse Malika Cohen, testemunha que assistiu a tudo o que se sucedeu durante o ataque e falou ao Channel 12 israelita. “No momento em que o condutor abriu a porta, os terroristas entraram. Foi terrível. Estava na porta de trás, caí em cima de todos e escapei. Salvei-me”, acrescentou, dizendo que se escondeu atrás de outro veículo até os tiros pararem.

Segundo os serviços de informações internas de Israel, Shin Bet, citado pelo Haaretz, os atacantes foram identificados como sendo Mohammed Taha e Muthanna Amro, residentes em aldeias perto da cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Para além destes, uma outra pessoa foi ainda detida pelo Shin Bet sob suspeita de os ter conduzido até lá. O mesmo jornal avança que o homem era conhecido por conduzir palestinianos sem autorização para Israel.

Entre os mortos está um cidadão espanhol, Yaakov Pinto, de 25 anos, que terá emigrado desde a cidade-enclave no norte de África de Melilla para Israel há poucos meses. As restantes vítimas foram identificadas como Levi Yitzhak Pash, 57 anos; Yisrael Matzner, de 28 anos; Sarah Mendelson, 60 anos e os rabis Yosef David, 43 anos; e Mordechai Steintzag, 79 anos.

As autoridades de Israel consideraram tratar-se de um dos ataques mais mortíferos na cidade desde o início da guerra na Faixa de Gaza contra o grupo extremista palestiniano Hamas, em outubro de 2023.

Netanyahu promete “guerra”, Presidente condena “terroristas”

O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que adiou uma presença em tribunal devido ao incidente, afirmou de visita ao local, juntamente com o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que Israel “está numa enorme guerra contra o terrorismo em todas as frentes”.

“O Shin Bet e as Forças de Defesa de Israel impediram centenas [de ataques] e a polícia também desmantelou centenas este ano, mas infelizmente não hoje”, lamentou ainda.

“Estamos agora a perseguir e a cercar as aldeias de onde vieram os terroristas”, disse o líder israelita, que sublinhando que “a guerra continua em Jerusalém e na Judeia e Samaria [nome bíblico da Cisjordânia usado por Israel], onde agimos com grande força”.

Já o Presidente de Israel, Isaac Herzog, lamentou na rede social X que “civis inocentes, mulheres, homens e crianças tenham sido brutalmente assassinados a sangue frio e feridos num autocarro pelas mãos de terroristas malignos e vis”.

“Este ataque chocante lembra-nos mais uma vez que estamos a lutar contra um mal absoluto. O mundo deve compreender o que enfrentamos e que o terrorismo nunca nos derrotará”, acrescentou.

Israel Katz, ministro da Defesa israelita, avisou na rede social X que “o ataque hediondo” ao autocarro em Jerusalém Oriental iria ter “consequências extremamente graves e de longo alcance”.

O ministro escreveu estar “triste com o assassinato hediondo de seis civis inocentes pelas mãos dos malfeitores”, prometendo perseguir “o terrorismo em todos os lugares”.

“Assim como derrotámos o terrorismo palestiniano no campo de treino terrorista de Jenin e nos campos de treino terrorista no norte da Samaria [termo usado por Israel para o norte da Cisjordânia], em breve faremos o mesmo noutros campos de treino terrorista. Aqueles que patrocinam e dirigem o terrorismo pagarão o preço total”, disse.

AP condenou “ataques a civis”. Hamas aplaudiu “resposta natural aos crimes”

Por seu lado, a Autoridade Palestiniana (AP) “reiterou a sua posição firme de rejeitar e condenar qualquer ataque contra civis palestinianos e israelitas”, citou a Al Jazeera.

Em comunicado, a AP denuncia ainda “todas as formas de violência e terrorismo, independentemente da sua origem”. “A presidência salientou que a segurança e a estabilidade na região não serão alcançadas sem o fim da ocupação, o fim dos atos de genocídio na Faixa de Gaza e o fim do terrorismo dos colonos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém ocupada”, afirmou.

Já o Hamas aplaudiu num comunicado a “heroica operação” realizada por “dois combatentes da resistência palestiniana”.

“Afirmamos que esta operação é uma resposta natural aos crimes da ocupação [Israel] e à guerra de extermínio que se abate sobre o nosso povo”, afirmou o movimento islamita.

O Hamas advertiu que o ataque “é uma mensagem clara” de que os planos de Israel “para ocupar e destruir a cidade de Gaza e profanar a mesquita de Al Aqsa”, na Esplanada das Mesquitas, “não ficarão impunes”, segundo o jornal palestiniano Filastin.

A Jihad Islâmica, outro grupo extremista que opera em Gaza, também elogiou a “operação qualitativa por parte de dois combatentes da resistência”, que disse tratar-se de “uma resposta natural ao aumento das políticas criminosas da entidade israelita”.

“Lamentamos a morte dos responsáveis pela operação e elogiamos o seu heroísmo. Pedimos ao nosso povo na Palestina que intensifique a resposta aos crimes do exército da entidade”, acrescentou, em referência a Israel.

Portugal, França, EUA condenam ataque. Espanha envia “condolências” à família do cidadão

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português condenou “liminarmente”, na rede social X, o “ataque terrorista em Jerusalém, que resultou em vários mortos e feridos israelitas”.

“Sentidas condolências às famílias das vítimas e ao povo e autoridades de Israel”, sublinhou o ministério, que disse ainda que a “escalada violenta na região tem de acabar; a paz só virá de uma solução política”.

Já Espanha, depois de condenar “taxativamente” o ataque, manifestou também “a sua solidariedade” e transmitiu “as suas mais sinceras condolências aos familiares das vítimas, em especial ao cidadão espanhol assassinado, bem como expressar o desejo de que os feridos recuperem o mais rapidamente possível.

O Governo norte-americano afirmou também que está a acompanhar a situação em Jerusalém e reiterou a solidariedade com Israel, na sequência do ataque que causou pelo menos seis mortos.

“Estamos a acompanhar de perto a situação em Jerusalém após o cruel ataque terrorista desta manhã no cruzamento de Ramot. As nossas orações estão com as vítimas e famílias”, sublinhou o Departamento de Estado norte-americano, que também expressou apoio ao Governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

“Os Estados Unidos condenam o terrorismo e solidarizam-se com Israel”, acrescentou na mesma nota o Departamento de Estado.

Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou na rede social X ainda de forma “veemente” o “ataque terrorista” ao autocarro no cruzamento de Ramot, em Jerusalém Oriental,

“Transmito as minhas mais sinceras condolências às famílias das vítimas e a todo o povo israelita”, acrecentou Macron, que disse ainda que “a espiral de violência tem de acabar”. “Só uma solução política poderá trazer de volta a paz e a estabilidade para todos na região”, sublinhou.

Já o Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou na rede social X ainda de forma “veemente” o “ataque terrorista” ao autocarro no cruzamento de Ramot, em Jerusalém Oriental,

“Transmito as minhas mais sinceras condolências às famílias das vítimas e a todo o povo israelita”, acrescentou Macron, que disse ainda que “a espiral de violência tem de acabar”.

“Só uma solução política poderá trazer de volta a paz e a estabilidade para todos na região”, sublinhou.