Uma pintura do artista de rua Banksy de um juiz a agredir com o seu martelo um manifestante no chão com um cartaz ensanguentado surgiu, esta segunda-feira, na fachada lateral do complexo dos Royal Courts of Justice, em Londres. Pouco tempo depois, relata o The Guardian, foi tapada pelos guardas do edifício, que é sede de vários tribunais ingleses, como Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal da Relação.
Apesar de não referenciar o caso diretamente, a BBC e o The Guardian ligam a peça aos protestos em favor da Palestine Action, proibida como organização terrorista há poucos meses pelo governo britânico. A pintura surge aliás, um dia depois de uma manifestação no centro da capital britânica em que 890 pessoas foram detidas por demonstrarem o seu apoio ao grupo.
A obra foi confirmada como sendo de Banksy pelo próprio na sua página de Instagram, onde costuma publicar as pinturas que vai deixando pelas ruas de todo o mundo.
Porém, pouco depois de ser vista na lateral do edifício conhecido como Queen’s Building, foi tapada pela segurança do edifício com placas de plástico e de metal, vigiadas por guardas. Falando à BBC, um dos guardas que ficou destacado para vigiar a peça disse não saber por quanto tempo teriam de ficar ali, comentando que, pelo menos, não estava “a chover”.
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De acordo com um porta-voz do serviço britânico de tribunais, citado pelo The Guardian, a peça irá mesmo ser retirada da parede. Isto porque, justificou, o Queen’s Building é um edifício classificado como património por ter “especial interesse arquitetónico”, pelo que as instituições são “obrigadas a manter a sua aparência original“. À BBC, a Polícia Metropolitana de Londres disse ter recebido uma notificação por danos potencialmente criminosos e que iria investigar o caso.
Matteo, uma testemunha entrevistada pelo The Guardian, disse que os guardas estavam a tentar fazer com que os transeuntes que se tinham juntado à volta da pintura não lhe tirassem fotos enquanto corriam para a tapar.
“Acho repugnante que tenham simplesmente coberto a pintura“, disse, considerando que “eles estão claramente com medo da reação que vai causar“.
Harriet Harman, membro da Câmara dos Lordes pelo Partido Trabalhista, mencionou à BBC que a obra era “um protesto sobre a lei” — sem especificar qual. “O Parlamento faz a lei, os juízes simplesmente interpretam-na”, considerou Harman, dizendo ainda que “não havia provas” de que “os juízes tenham reprimido os protestos além do que o Parlamento pretendia“.
A Defend Our Juries, organização pró-liberdade de consciência e que tem apoiado a Palestine Action, considerou na rede social X que a obra de Banksy “retrata de forma poderosa a brutalidade desencadeada por Yvette Cooper [ex-ministra da Administração Interna] contra os manifestantes”.
“Quando a lei é usada como ferramenta para esmagar as liberdades civis, ela não apaga a dissidência — reforça-a“, sublinhou.
Banksy's work of art on the Royal Courts powerfully depicts the brutality unleashed by Yvette Cooper on protestors by proscribing Palestine Action.
When the law is used as a tool to crush civil liberties, it does not extinguish dissent – it strengthens it.
????: @CallumJParke pic.twitter.com/uHC0RXOv0p
— Defend Our Juries (@DefendourJuries) September 8, 2025