Vinte e quatro anos depois do atentado ao World Trade Center de 11 de setembro de 2001, mais de mil das 2.753 vítimas mortais estão por identificar. Em agosto deste ano, três pessoas juntaram-se ao total de 1.653 mortos oficialmente identificados pelas autoridades nova-iorquinas. Há 1.100 cujos nomes ainda não são conhecidos.
Entre estas três vítimas, está Barbara Keating, na altura com 72 anos, que ia no avião que viajava entre Boston e Los Angeles e embateu na Torre Norte, a primeira a ser atingida. A mulher regressava a casa na cidade californiana de Palm Springs vinda do estado onde nasceu, o Massachussets, que visitava regularmente.
“Não fazia ideia que aquele era o avião da minha mãe“, disse o filho de Barbara, Paul Keating à CNN. A estação norte-americana noticiou que quando aconteceu o funeral de Barbara em novembro de 2001, a urna que foi posta no altar não continha as suas cinzas, mas sim destroços do que restou do ataque às Torres Gémeas.
Ainda assim, mesmo com os anos a passar sem uma identificação final, Paul garantiu que houve descobertas que foram dando à família “um sentimento de conclusão” — nomeadamente quando o cartão de multibanco da mãe foi encontrado entre os destroços vários anos depois.
O maior avanço deu-se quando foi contactado pelas autoridades para fornecer uma amostra de ADN. Depois de a compararem com cabelos descobertos numa escova que parecia pertencer a Barbara, o resultado deu positivo. Este ano, num novo teste que envolveu restos mortais recolhidos em 2001 e que alegadamente pertenceriam à mulher de 72 anos, a identificação foi confirmada.
Inovações ajudam “esforço mais complexo da história”
Ao New York Times, o médico-legista chefe de Nova Iorque, Jason Graham, considerou que este era “o esforço de identificação forense por ADN mais complexo da história”, frisando que “tem origem no maior assassinato em massa da história dos Estados Unidos”. Por esse motivo, este esforço acabou por estimular a inovação de novos métodos de investigação usando restos de ossos desfeitos para obter amostras de material genético.
Segundo Graham, em 2001, os ossos eram moídos com um pilão e um almofariz. Hoje, o uso de tecnologias usando rolamentos e “vibrações ultrassónicas” facilitam a recolha em “amostras difíceis”. “Temos obtido cada vez mais sucesso na obtenção de ADN a partir de fragmentos ósseos“, continuou.
Num comunicado publicado no site do gabinete do médico-legista, o autarca de Nova Iorque, Eric Adams, considerou que se deu “um passo em frente para confortar os familiares que ainda sofrem com a dor” de terem perdido “um ente querido nos ataques terroristas de 11 de setembro”.
Depois destas três vítimas, restam ainda 1.100 pessoas que morreram naquele dia para serem identificadas. Jason Graham, no mesmo comunicado, garantiu que o compromisso “em identificar os desaparecidos e devolvê-los aos seus entes queridos continua tão forte como sempre“.
“Cada nova identificação atesta a promessa da ciência e o apoio contínuo às famílias, apesar do tempo que passou. Continuamos este trabalho como forma de homenagear os que perderam a vida”, continuou, sublinhando que o gabinete continua a contactar as famílias para obter referências de ADN para comparar com as amostras recolhidas no local.
Sobre os restos que agora são ligados a Barbara, o filho diz que a família está ainda a planear sobre o que fazer, embora uma parte fique num repositório por trás de uma parede do memorial às vítimas do 11 de Setembro.
À CNN, Paul garantiu que a sua família terá sempre “uma ligação e uma dívida de gratidão” às autoridades nova-iorquinas por tudo o que fizeram ao longo de todo o processo.
“Estamos a falar de pessoas que, 24 anos depois, continuam a fazer horas extraordinárias por nós”, disse Paul Keating ao New York Times, sublinhando que, para ele, “essa é a parte mais incrível, realmente incrível. Eles não vão parar até identificarem todas as pessoas”.