O primeiro-ministro britânico Keir Starmer pediu à ministra dos Negócios Estrangeiros para demitir o embaixador do Reino Unido nos EUA, Peter Mandelson, por ligações a Jeffrey Epstein, avança a BBC. A ministra Yvette Cooper aceitou o pedido e a demissão de Mandelson tem “efeito imediato”.
“À luz das informações adicionais contidas nos e-mails escritos por Peter Mandelson, o primeiro-ministro solicitou ao ministro das Relações Exteriores que o destituísse do cargo de embaixador”, lê-se no comunicado publicado pelo ministério esta quinta-feira. “Os emails mostram que a profundidade e a extensão da relação de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein são substancialmente diferentes daquelas conhecidas no momento da sua nomeação”, afirma o ministério.
“Em particular, a sugestão de Peter Mandelson de que a primeira condenação de Jeffrey Epstein foi injusta e deveria ser contestada é uma informação nova. À luz disso, e tendo em conta as vítimas dos crimes de Epstein, ele foi destituído do cargo de embaixador com efeito imediato”,
Os mais de 100 emails em causa foram publicados pela Bloomberg, depois de ter sido revelada esta semana uma mensagem do embaixador britânico endereçada a Epstein, escrita em 2003, em que apelidava o magnata norte-americano de “melhor amigo“. A correspondência esta quarta-feira revelada entre os dois data entre 2005 e 2010, sendo que Esptein foi condenado por solicitar a prostituição de uma menor em 2008.
“Tenho uma grande admiração por ti e sinto-me desesperado e furioso com o que aconteceu”, escreveu Peter Mandelson, um dia antes de Esptein se entregar num estabelecimento prisional na Florida para cumprir a pena de prisão de 18 meses. “Ainda mal consigo compreender. Isto simplesmente não poderia acontecer na Grã-Bretanha”, acrescentou Mandelson, que, à altura, era Comissário europeu do Comércio.
“Tens de ser incrivelmente resiliente, lutar pela libertação antecipada e encarar tudo com a maior filosofia possível. Tudo isto tem sido anos de tortura e agora tem de mostrar ao mundo o quão grande e forte és, escreveu Mandelson no mesmo email. “Os teus amigos permanecem ao seu lado e amam-te“, disse o britânico na mensagem revelada que gerou mais polémica.
Antes de serem revelados os emails, mas já depois de ter sido noticiada a mensagem de 2003, Peter Mandelson concedeu uma entrevista ao The Sun em que expressou remorso com a sua ligação ao alegado líder de uma rede de prostituição de menores. “Sinto um enorme arrependimento não só por tê-lo conhecido, mas também por ter continuado a relação e por ter acreditado nas mentiras que ele me contou, a mim e a muitos outros”, disse.
Nessa altura, a notícia da Bloomberg ainda não tinha sido publicada, mas o embaixador já tinha sido confrontado com o conteúdo dos emails. Mandelson admitiu que teve “muitos contactos, correspondência e partilhas” com Epstein e avisou: “Sabemos que elas vão ser reveladas e serão embaraçosas”. O embaixador “não contestou a veracidade das mensagens”, quando confrontado com as mesmas, garante o The Sun.
A posição agora assumida por Starmer, que segundo a BBC foi decidida em conjunto com a ministra Yvette Cooper esta manhã, contrasta com as declarações que fez na quarta-feira. Numa sessão parlamentar de perguntas ao primeiro-ministro, o líder trabalhista disse que na nomeação de Mandelson foi seguido o “processo devido” foi seguido durante esta nomeação, em fevereiro deste ano.
Keir Starmer disse mesmo que tinha “total confiança” em Mandelson, nesta altura em que ainda não eram conhecidos os emails, mas já depois de ser pública a mensagem em que este apelidava Epstein de “melhor amigo”. O embaixador “repetidamente expressou profundo pesar” pelas mensagens e agora está “desempenhando um papel importante nas relações entre os EUA e o Reino Unido”, disse o primeiro-ministro britânico.