O Ministério Público abriu um inquérito-crime ao caso dos contratos celebrados pelo Hospital de Braga, adiantou a CNN Portugal e confirmou o Observador junto de uma fonte da Procuradoria-Geral da República.
Em causa está a investigação aos contratos que o Hospital de Braga celebrou desde 2010 com os serviços de oftalmologia da Iberofta, a empresa privada de Fernando Vaz, diretor de serviço desta mesma unidade pública.
Como já tinha sido noticiado em julho, desde pelo menos 2019 — ano em que o Hospital de Braga passou do estatuto de Parceria Público Privada (PPP) para ser exclusivamente detido pelo Estado — Fernando Vaz arrecadou contratos no valor de 27,7 milhões de euros, sendo que muitos foram celebrados sem o devido controlo do Tribunal de Contas.
A denúncia desta situação levou Fernando Vaz a pedir a demissão, sendo que o médico, por acumular as funções de diretor de Oftalmologia com as de coordenador de Oftalmologia no Instituto CUF Porto e no Hospital CUF Porto, também se encontrava numa situação de incompatibilidade.
Confrontada com a notícia dos contratos, a administração do Hospital de Braga admitiu que nos últimos anos não tinha sido feita uma análise a estes contratos com a empresa de Fernando Vaz. No entanto, segundo adianta a CNN Portugal, só em 2025 foram feitos mais dois ajustes diretos à Iberofta num valor total de 5.144.595 euros, justificando a liderança do hospital com a necessidade de “garantir a continuidade da atividade assistencial do serviço de oftalmologia”.