Karen Attiah, que era colunista do Washington Post há 12 anos, revelou esta segunda-feira que foi despedida por causa das publicações que fez nas redes sociais na sequência do assassinato de Charlie Kirk.
Num longo artigo publicado na sua página no Substack, Attiah afirma que foi despedida por causa das suas publicações na rede social Bluesky, que, segundo ela, foram consideradas “inaceitáveis”, “má conduta grosseira” e que punham em perigo a segurança física dos seus colegas.
Nas mensagens publicadas, Attiah não refere diretamente o nome de Kirk, mas versa sobre violência política e crítica a “retórica vazia”, quando a violência não é acompanhada de ações. Afirmou que “parte do que mantém a América tão violenta é a insistência de que as pessoas se preocupem, se sintam bem e absolvam os homens brancos que defendem o ódio e a violência”.
E assegurou: “Recusar-me a rasgar as minhas roupas e a espalhar cinzas no meu rosto em luto performativo por um homem branco que abraçou a violência não é… o mesmo que violência.”
Attiah nota ainda que “era a última colunista negra que trabalhava a tempo inteiro no Post“. “Washington D.C. já não tem um jornal que reflita as pessoas que serve”, acrescenta, classificando o que acaba de lhe acontecer como fazendo parte de uma “purga mais vasta de vozes negras do mundo académico, empresarial, governamental e dos meios de comunicação social”.
O Washington Post, que desde o início do ano está a reformular a secção de opinião, recusou-se a comentar assuntos pessoais. A biografia de Attiah no jornal foi, no entanto, revista para dizer que ela “era” colunista. Ou seja, trata-se da confirmação do seu despedimento.
Já o sindicato dos funcionários do jornal norte-americano entende que a colunista foi despedida “erradamente por causa das suas publicações nas redes sociais”. “O Post não só desrespeitou flagrantemente os processos disciplinares padrão, como também minou a sua própria missão de ser um campeão da liberdade de expressão”, asseguram os jornalistas, citados pela CNN Internacional.
Desde o início do ano que a administração do jornal tem vindo a reformular toda a sua secção de opinião para se concentrar no apoio às “liberdades pessoais e aos mercados livres”. O multimilionário Jeff Bezos é o proprietário da publicação e disse na altura que já não era necessária uma “secção de opinião alargada” porque havia uma diversidade de opiniões disponíveis online.
Em fevereiro, uma cartoonista despediu-se do jornal depois de o Post se ter recusado a publicar um cartoon em que se via vários bilionários da tecnologia (e até o Rato Mickey) a prestar reverência ao Presidente eleito norte-americano com vários sacos de dinheiro. Ann Telnaes, que trabalhava naquele jornal desde 2008, demitiu-se perante a recusa.