O Ministério Público pediu esta semana mais documentação a Luís Montenegro sobre o caso Spinumviva. A informação é avançada pelo procurador-geral da República, Amadeu Guerra, que admite que desejava que tivesse sido tomada uma decisão sobre a averiguação preventiva à empresa familiar do primeiro-ministro antes do fim das férias de verão.
Em entrevista ao jornal Nascer do Sol, publicada esta sexta-feira, Amadeu Guerra explica que existe “muita documentação” no contexto do caso — a que se junta a que o Departamento Central de Investigação e Ação Penal pediu esta semana — e que na próxima semana vai “fazer o ponto de situação com o diretor do DCIAP sobre vários inquéritos, indagar as razões da demora e a justificação”.
Na entrevista, Amadeu Guerra admite mesmo que terá menos “credibilidade” do que quando tomou posse, o que tem “muito a ver com o atraso dos processos mediáticos” — que justifica com a falta de meios, nomeadamente ao nível dos oficiais de Justiça — e fala especificamente da demora na Operação Influencer.
“Na operação Influencer existe muitíssima documentação que foi apreendida nas buscas e ainda não foi analisada. Mas o caso Influencer não é o único”, contextualiza. “Não temos meios para analisar toda a prova ao mesmo tempo”. Neste momento, explica o procurador, dos cerca de 150 dispositivos digitais obtidos — um total de 120 terabytes de informação — mais de 120 estão “em fase final de tratamento” e há quatro recursos dos quais depende o tratamento do resto da informação.
Na mesma entrevista, Amadeu Guerra admite que “em termos de princípios” escutar alguém durante quatro anos — como aconteceu com João Galamba — “não será adequado nem aceitável” e é “excessivo”. Mas temos de analisar as circunstâncias concretas dos processos onde isso acontece”.