O secretário-geral do PS disse esta sexta-feira, na apresentação do programa eleitoral socialista para Lisboa, que quer uma capital de “ambição” que se oponha ao que diz ser a “cidade de resignação” do atual presidente da Câmara, Carlos Moedas (PSD).
Num discurso na sessão de apresentação do programa eleitoral da coligação autárquica “Viver Lisboa” (PS, Livre, BE e PAN), na freguesia de São Domingos de Benfica, José Luís Carneiro garantiu que a candidatura encabeçada pela socialista Alexandra Leitão ambiciona uma Lisboa “aberta ao mundo”, cosmopolita e que “assuma as suas responsabilidades” não só nos momentos fáceis, mas também quando são “difíceis de entender”.
“É essa cidade que idealizamos e que se concretiza em cada dia com as propostas políticas que aqui estamos a apresentar. Essa é a cidade de ambição que se opõe a uma cidade de resignação que hoje é interpretada pelo atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Ambição em alternativa à resignação”, acrescentou.
Para o líder socialista, “está tudo explicado sobre os quatros anos perdidos em Lisboa” com Carlos Moedas à frente da autarquia, quando a sua “principal proposta política e mais importante preocupação continua a ser resolver um problema tão básico como a recolha do lixo”.
Carneiro afirmou que o atual executivo municipal não se “pode queixar da atitude” dos vereadores ou deputados eleitos pelo PS, porque, acrescentou, “desde a primeira hora ao último minuto do mandato mostraram um grande sentido de responsabilidade em todos momentos difíceis desta cidade”.
O secretário-geral do PS defendeu também a necessidade de Lisboa ser uma cidade “menos agressiva” do “ponto de vista das condições de vida”, afirmando que embora “haja uma cultura de compreensão e entendimento”, por exemplo, nos transportes públicos as pessoas sentem “uma agressividade da própria cidade”.
“Para quem percorre a pé só obstáculos no espaço público. Eu pergunto muitas vezes como é que as pessoas com mais idade, com dificuldades de locomoção, podem caminhar em segurança. O ruído da própria cidade. É uma agressividade que efetivamente tem efeitos na nossa saúde pública, tem efeitos na vida e na qualidade de vida das pessoas”, apontou.
Carneiro disse ainda ver em Alexandra Leitão as qualidades humanas, cívicas, técnicas e profissionais para ser a primeira mulher presidente da autarquia lisboeta e para permitir que se possa “voltar a cantar ‘cheira bem, cheira a Lisboa'”.
Coligação “Viver Lisboa” “não nasce contra ninguém”
Para a coligação “Viver Lisboa”, acima de todas as prioridades está “a emergência” da habitação. A cabeça de lista da coligação, Alexandra Leitão (PS), criticou a decisão anunciada pelo Governo na quinta-feira de alienar património público, a maioria do qual em Lisboa e prometeu “tudo fazer para evitar que imóveis públicos com aptidão habitacional sejam vendidos no mercado livre”, admitindo que o município os adquira.
Além da habitação, o programa tem outros dois grandes focos, os transportes e a limpeza. “Nunca foi tão mal gerida a higiene urbana”, avaliou, sublinhando que “uma cidade limpa é uma cidade mais segura”.
A cabeça de lista referiu ainda “a degradação” das escolas de Lisboa, anunciando um “programa urgente de requalificação do edificado” e garantir refeições de qualidade, reforçando a ligação à comunidade.
Alexandra Leitão destacou que lidera “uma equipa de pessoas de todos os partidos e sem nenhum partido” e agradeceu “o privilégio” de contar com a atriz Maria do Céu Guerra como mandatária da candidatura.
“Depois de quatro anos de falhanços, não podemos esperar mais”, instou. “Não queremos uma cidade de unicórnios”, vincou, sublinhando “os problemas reais” da cidade e dos seus habitantes.
Antes da cabeça de lista, André Moz Caldas, candidato a presidente da Assembleia Municipal, resumiu o programa a “casas que as pessoas podem pagar, transportes em que as pessoas podem confiar e uma cidade limpa”.
Começando pela habitação, a coligação propõe, entre outras medidas, lançar a construção de 4.500 casas até 2029, “desbloquear já operações de renda acessível que ficaram suspensas no último mandato”, mobilizar terrenos e casas devolutas, permitir alojamento local “só onde faz sentido” e adotar uma moratória a novos hotéis.
No que diz respeito à limpeza da cidade, a coligação ‘subiu a parada’, prometendo recolha de lixo sete dias por semana (Carlos Moedas comprometeu-se com seis dias na apresentação do seu programa, na quinta-feira).
Nos transportes, defende o passe Navegante gratuito para todos os lisboetas e mais corredores BUS. Creches gratuitas e universais e apoiar a contratação de mais profissionais para os centros de saúde fazem também parte das propostas.
“Honrar o legado da capital verde”, garantir que Lisboa é “amiga dos animais” fazem igualmente parte do programa hoje apresentado, que se compromete com o reforço da dotação orçamental para a cultura e a acessibilidade plena e a “canalizar 1% do orçamento municipal” para a ciência e inovação.
Também coordenador do programa, Moz Caldas adiantou que, se for eleita, a coligação vai avaliar o impacto da “Unicorn Factory Lisboa”, à luz dos dinheiros públicos nela investidos, e devolver o espaço à designação original de Hub Criativo do Beato.
Habitação, higiene urbana, trânsito, transportes e mobilidade foram os destaques dos parceiros da coligação.
Pelo Livre, Isabel Mendes Lopes situou a coligação em “construir uma Lisboa para viver”, sublinhando que “só há uma pessoa que tem uma hipótese real de ser presidente da câmara” em vez de Carlos Moedas, Alexandra Leitão, destacando os seus “sentido de justiça, capacidade de trabalho e entrega”.
“Fazes muita falta na Assembleia da República, mas mais falta fazes a Lisboa”, disse, dirigindo-se a Alexandra Leitão.
Fabien Figueiredo, pelo BE, colocou a tónica numa “Lisboa mais limpa”, notando que a higiene urbana “falhou, porque faltou humildade e competência” ao atual executivo liderado por Carlos Moedas.
“A um autarca, de esquerda ou de direita, exige-se que cumpra os mínimos”, afirmou.
Pelo PAN, Inês de Sousa Real acentuou a necessidade de “unir esforços”, destacando que muitas pessoas “já não conseguem viver Lisboa”, atualmente uma “cidade de contrastes” entre bairros.
“A coligação também não vai deixar os animais para trás e vai fazer diferente”, assumiu, levantando a principal bandeira do PAN.
Concorrem à Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 12 de outubro: Carlos Moedas (PSD/CDS-PP/IL), Alexandra Leitão (PS/Livre/BE/PAN), João Ferreira (CDU-PCP/PEV), Bruno Mascarenhas (Chega), Ossanda Líber (Nova Direita), José Almeida (Volt), Adelaide Ferreira (ADN), Tomaz Ponce Dentinho (PPM/PTP) e Luís Mendes (RIR).
Atualmente, o executivo municipal integra sete eleitos da coligação “Novos Tempos” – PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança, sete eleitos da coligação “Mais Lisboa” – PS/Livre, dois da CDU e um do BE.