O ex-secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, reagiu esta quarta-feira às notícias sobre a investigação da PJ à autorização política dada por Pedro Nuno Santos no caso da controversa indemnização de 500 mil euros à ex-administradora da companhia aérea, Alexandra Reis, lamentando que o seu bom nome esteja novamente a ser posto em causa, admitindo que “não correu tudo bem”, incluindo no caso de Alexandra Reis, mas garantindo que o seu gabinete não cometeu qualquer crime.

“Ainda há menos de seis meses o meu bom nome foi posto em causa, em plena campanha eleitoral. É o que volta a acontecer novamente. Reafirmo o que disse nessa altura — os políticos não são todos iguais. E, mais uma vez, quem não deve não teme”, escreveu Pedro Nuno Santos numa comunicação divulgada pelas redes sociais.

PJ investiga Pedro Nuno Santos e ex-secretário de Estado Hugo Mendes no caso Alexandra Reis

“Tenho orgulho no trabalho realizado na TAP. Salvámos uma das mais importantes empresas da economia nacional e deixamo-la financeiramente saudável. O custo para a economia portuguesa de a deixar falir era incomensuravelmente superior ao custo do seu resgate. Até hoje os adversários políticos do PS (onde se inclui o atual PM) nunca disseram o que teriam feito de diferente”, acrescentou ainda. “Não correu tudo bem, a indemnização paga a uma administradora executiva é um desses exemplos.”

“Mas não foi cometido qualquer crime pelos membros do governo ou do meu gabinete. Enquanto Ministro fiz aquilo que tinha de fazer. A CEO e uma administradora estavam irremediavelmente incompatibilizadas, o normal era uma delas sair, a bem do funcionamento saudável da comissão executiva”, justificou Pedro Nuno. “À CEO foi dada autorização para iniciar o processo de substituição. Processo esse em que a TAP foi assessorada por uma das maiores sociedades de advogados do país. A representar Alexandra Reis estava outra grande sociedade de advogados.”

“Concluída a negociação entre as partes, foi-me pedida a anuência política para o seu fecho. Obviamente que parti do pressuposto de que a solução que a empresa nos apresentou era legal, tendo em conta que a TAP tinha sido assessorada por uma conceituada sociedade de advogados. Autorizei o fecho porque, apesar do elevado valor da indemnização, era pior manter uma situação de conflito dentro da comissão executiva. Claro que se soubesse que a indemnização era indevida, essa autorização nunca teria sido dada”, explicou.

“Não há muitos temas que tenham sido tão escrutinados quanto este. Já foi alvo de uma investigação da IGF e de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que durou vários meses e que teve acesso a muitas comunicações”, acrescentou ainda. “Neste momento, o Ministério Público está a fazer o seu trabalho, no âmbito de um inquérito aberto em janeiro de 2023. Só desejo que possa ser concluído com a maior brevidade, para que fique definitivamente clara a minha participação neste dossiê, que tanto dano já me causou.”