Um recém-nascido — a quem foi diagnosticado um problema intestinal que exigia uma cirurgia — foi transferido do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, para a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, avançou a CNN e confirmou o Observador. Na origem da transferência, para um hospital a 200 quilómetros de distância, na semana passada, esteve a falta de vagas em unidades de cuidados intensivos neonatais na zona de Lisboa ou de equipas médicas que pudessem assegurar a cirurgia.

O bebé em causa nasceu em meados de setembro no Hospital Beatriz Ângelo, e, quatro dias depois, foi transferido para a unidade de cuidados intensivos daquele hospital com sintomas graves de doença digestiva. Depois de feitos alguns exames, a equipa médica do Beatriz Ângelo concluiu que o recém-nascido precisava de uma intervenção urgente, contou a mãe do bebé à CNN. No entanto, ao Observador, fonte da Unidade Local de Saúde Loures-Odivelas, que abarca esta unidade, garante que o bebé “não estava em situação crítica” nem a situação clínica foi considerada urgente.

Identificada a necessidade de cirurgia, e não dispondo o Beatriz Ângelo da valência de Cirurgia Neonatal, a equipa médica contactou três hospitais mais diferenciados na região de Lisboa para avaliar a possibilidade de transferir o bebé. Mas o Hospital de Santa Maria, o Hospital Dona Estefânia e o Hospital Amadora/Sintra não mostraram disponibilidade para receber o bebé.

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Ao Observador, a Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra esclarece que “não foi possível reunir equipa de anestesia com experiência neonatal” e que só haveria disponibilidade de resposta quatro dias depois do pedido, a 22 de setembro. A Unidade de Cirurgia Pediátrica do Amadora-Sintra é constituída “por apenas 3 cirurgiões, estando 1 de prevenção a Urgência Interna”, acrescenta a ULS.

Já a Unidade Local de Saúde de São José, que abarca o hospital Dona Estefânia, refere ao Observador que não tinha vagas disponíveis “na unidade de cuidados intensivos neonatais do Dona Estefânia”. “Estava totalmente ocupada”, adianta fonte oficial, pelo que não foi possível receber o bebé. Neste caso, foi acionado o “funcionamento em rede do SNS”, lembra.

Contactada, a Unidade Local de Saúde de Santa Maria também justifica a falta de disponibilidade com a falta de vagas na Unidade de Neonatologia no dia 17 de setembro, quando recebeu o pedido do hospital Beatriz Ângelo. “Foi comunicado [ao Hospital Beatriz Ângelo] que a Unidade de Neonatologia do Hospital de Santa Maria se encontrava cheia e sem possibilidade imediata de criação de vagas. No entanto, as equipas apresentaram como solução alternativa a hipótese de internar a criança na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos da ULSSM, não tendo recebido contactos posteriores nesse sentido”, adianta a ULS, acrescentando que, até ao final do ano, terá em funcionamento uma nova unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, com um número reforçado de camas — 28.

Perante a falta de alternativas na zona de Lisboa, o bebé acabou por ser transferido para a ULS de Coimbra, para onde foi transportado por uma corporação de bombeiros acompanhado por uma enfermeira e sem a presença de um médico. Segundo o relato da mãe do recém-nascido à CNN, a equipa de cirurgia do hospital de Coimbra confirmou a suspeita de obstrução intestinal. O bebé foi operado com sucesso, estando agora internado na unidade de cuidados intensivos neonatais daquela unidade hospitalar, em recuperação.

O Observador contactou a ULS de Coimbra mas não obteve resposta em tempo útil.