Um tribunal de Londres anulou esta sexta-feira o processo de terrorismo contra Liam Óg Ó hAnnaidh, parte do trio de rap irlandês Kneecap. O artista, conhecido pelo nome artístico Mo Chara, estava acusado de ter demonstrado apoio ao Hezbollah, ao levantar uma bandeira do grupo libanês — classificado como terrorista no Reino Unido — durante um concerto em Londres em novembro do ano passado.

O juiz Paul Goldspring considerou que o processo “foi instaurado de forma ilegal e é nulo“, dando razão aos advogados do rapper de 27 anos. Em causa está o facto de Ó hAnnaidh ter sido informado das acusações pela polícia ainda antes de o Procurador-Geral ter dado permissão formal para o Ministério Público prosseguir com a acusação, relata o The Guardian.

A decisão do tribunal foi recebida com aplausos e gritos da galeria pública, que obrigaram o juiz a ordenar aos presentes que continuassem “a celebração na rua”, escreve a Sky News. A comemoração estendeu-se depois ao mundo digital, com uma publicação do agente dos Kneecap. “Liam Og é um homem livre. Dissemos que íamos lutar contra eles e ganhar”, pode ler-se numa publicação nas redes sociais com algumas letras maiúsculas. “Os Kneecap não têm nenhuma acusação OU condenação em NENHUM país, NUNCA”, sublinhou — a acusação de terrorismo tinha levado vários países a proibir os Kneecap de entrar no país para concertos que estavam planeados.

“Os Kneecap estão do lado certo da História. A Grã-Bretanha não. Palestina Livre“, escreveu ainda Daniel Lambert. O lema é repetido numa publicação feita pela banda esta sexta-feira de manhã, ainda antes da ida a tribunal, em que classificam o processo como “um carnaval de distração”.

Em junho, o trio irlandês, conhecido pelo teor político e provocatório das suas músicas e declarações públicas, tinha sido alvo de uma outra investigação da polícia britânica devido aos comentários pró-Palestina e anti-Israel no palco do festival Glastonbury. A investigação foi encerrada no mês seguinte por falta de provas de que os comentários tenham constituído um crime. Lambert menciona o incidente na publicação, notando que é a segunda vez que as autoridades deixam cair uma investigação aos Kneecap.