O Presidente de Madagáscar, Andry Rajoelina, anunciou esta segunda-feira a sua intenção de dissolver o governo e de nomear um novo primeiro-ministro, depois de milhares de jovens terem passado vários dias em protestos nas ruas contra os cortes de eletricidade e de água no país.

Conhecidas como “protestos da geração Z”, as manifestações — sob o lema “queremos viver, não sobreviver” — levaram milhares de jovens às ruas desde a quinta-feira da semana passada, para se insurgirem contra os graves problemas que se têm registado no país no que diz respeito ao abastecimento de eletricidade e de água.

“Reconhecemos e pedimos de desculpa se os membros do governo não levaram a cabo as tarefas que lhes estavam atribuídas”, disse Rajoelina num discurso à nação, citado pela BBC. Na intervenção, o Presidente anunciou a dissolução do governo e nomeação, nos próximos três dias, de um novo primeiro-ministro.

“Compreendo a raiva, a tristeza e as dificuldades causadas pelos cortes de eletricidade e pelos problemas no fornecimento de água”, acrescentou ainda. “Ouvi o apelo, senti o sofrimento, compreendi o impacto na vida quotidiana.”

Na semana passada, Rajoelina já tinha demitido o ministro da Energia, mas continuou a enfrentar exigências no sentido de se demitir também ele próprio e ao resto do governo.

O governo de Madagáscar tem estado sob críticas internacionais, concretamente da parte da ONU, pelo modo como reagiu aos protestos dos jovens, que começaram na capital do país, Antananarivo, na semana passada. Pelo menos 22 pessoas morreram e mais de uma centena ficaram feridas na sequência dos protestos.

A ONU diz que uma parte dos mortos foram provocados pela violência da resposta policial, que usou gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, ferindo muitos deles. Outras mortes ocorreram na sequência da violência entre os manifestantes e gangues de criminosos que aproveitaram o caos na cidade para levar a cabo assaltos.

Rajoelina disse também ao país que pretende estabelecer canais de diálogo com os jovens, organizados neste movimento da geração Z criado com os protestos.