O candidato do BE/Livre/PAN à Câmara de Cascais defendeu esta quinta-feira, em Carcavelos, a revisão dos projetos na Quinta dos Ingleses e de expansão do aeródromo de Tires, pelo impacto negativo nas populações, esperando reforçar a presença nos órgãos autárquicos.
“Em relação à Quinta dos Ingleses, quer em relação à questão das populações afetadas pelo aeródromo de Tires, que é uma questão também muito grave, em termos de impacto sobre a saúde e a qualidade de vida, e alguns outros problemas”, em “todas elas nós não desistimos e o nosso compromisso é que não desistiremos”, afirmou Alexandre Abreu.
O também deputado municipal pelo BE, que concorre em coligação com o Livre e PAN para a câmara nas eleições de dia 12, falava à Lusa após uma ação de campanha na Feira de Carcavelos, acompanhado, entre outros, pela cabeça de lista à Assembleia Municipal, Safaa Dib, e da primeira candidata à freguesia de Carcavelos e Parede, Silvie Lai.
Em relação à Quinta dos Ingleses, junto à Marginal, Alexandre Abreu salientou que “há processos ainda a correr em tribunal” e, “se houver vontade política” do município “para enfrentar esta intenção de destruir” um “espaço natural de características únicas”, é possível “mobilizar os instrumentos administrativos, jurídicos e financeiros para garantir uma solução que passe por um parque natural urbano de usufruto da população”.
Após uma primeira passagem da comitiva da coligação pela feira, os candidatos voltaram a percorrer o recinto, oferecendo folhetos com os candidatos, e um vendedor ironizou que ia votar em André Ventura, líder do Chega, mas que não é candidato nas autárquicas, pois “consegue ser mais cigano” do que ele, que se assumiu sem rodeios como “cigano de quatro costados”.
Alexandre Abreu foi oferecendo folhetos com as propostas da coligação e, a uma mulher que disse não votar, explicou que não era obrigada, mas para pensar em fazê-lo por ser “importante escolher, para não escolherem” por si.
“Agora não é oportuno, obrigada”, respondeu outra senhora junto a uma banca de roupa, a olhar para um vestido aberto com as duas mãos, perante a oferta de um folheto, outra mais adiante recusou com a indicação de ser “de Oeiras”, enquanto outra mulher elogiou “os olhos” do candidato, com uma apoiante a assegurar-lhe que também é “boa pessoa”.
“Queremos que haja fundamentalmente uma mudança de rumo aqui em Cascais, isso é o mais importante. E, para haver uma mudança de rumo, é preciso, em primeiro lugar, que não haja uma maioria absoluta da coligação PSD/CDS que tem estado a governar o concelho nestes últimos anos”, disse Alexandre Abreu, no fim da visita.
Para o professor universitário, não havendo maioria absoluta, e com a distribuição de forças entre os restantes representantes, tanto na Assembleia Municipal, como na Câmara Municipal, será possível propor propostas alternativas, “tanto a nível do orçamento”, como de outro tipo.
“Sabemos também que há uma grande parcela da população de Cascais que está muito descontente com a forma, muitas vezes, prepotente como a câmara tem gerido os assuntos do município, de costas voltadas para a cidadania, de costas voltadas para a natureza”, criticou.
As prioridades da coligação passam por resolver a “crise de habitação gravíssima que o país vive, mas que em Cascais é especialmente intensa, a questão da mobilidade e o ordenamento do território” e do ambiente, além “do bem-estar animal e da proteção animal”, numa “candidatura democrática, progressista e ecologista”, enunciou.
“Conseguimos alargar o espetro habitual, vamos mais além daquilo que seria normalmente o apoio aos nossos três partidos. Temos pessoas como o João Paulo Batalha, o professor Paulo Trigo Pereira, a Ana Gomes, o maestro António Vitorino de Almeida, pessoas que aspiram a mais qualidade de vida aqui em Cascais e que por isso nos têm generosamente dado o seu apoio”, salientou.
O executivo de Cascais, no distrito de Lisboa, é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.
Nas eleições autárquicas em Cascais concorrem Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), João Rodrigues dos Santos (Chega), Carlos Rabaçal (CDU, coligação PCP/PEV), Manuel Simões de Almeida (IL), Fábio Pereira (ADN), João Maria Jonet (independente) e António Pinto Pereira (independente, com apoio da Nova Direita e Nós, Cidadãos!).