O Parlamento Europeu aprovou uma proposta que impede o uso de designações tradicionalmente associadas à carne — como “hambúrguer”, “salsicha” ou “bife” — na comercialização de alternativas de origem vegetal. A proposta partiu do grupo do Partido Popular Europeu (PPE), que defende que estas denominações devem ser reservadas exclusivamente a produtos de origem animal.
“Carne é carne, ponto final. Manter os rótulos claros protege os agricultores e as tradições culinárias europeias”, afirmou a eurodeputada Céline Imart, relatora do PPE, antes da votação.
No entanto, nem todos os deputados – nem mesmo todos do PPE – partilharam esta visão. O deputado Peter Liese, ligado à CDU alemã, considerou a proposta desnecessária: “Ninguém se confunde ao ver ‘hambúrguer vegetariano’ ou ‘salsicha vegan’. Os consumidores sabem escolher por si próprios.”
No final, a proposta foi aprovada com 355 votos a favor e 247 contra.
A decisão foi criticada pelos Verdes, que acusaram o PPE de perder tempo com um debate “absurdo”. A eurodeputada alemã Anna Cavazzini afirmou aos jornalistas que cabe agora ao Conselho e ao governo alemão “pôr fim a esta loucura, que confunde consumidores, custa milhões às empresas e não beneficia os agricultores”.
Uma proposta semelhante já tinha sido votada em 2020, altura em que acabou por ser chumbada. Mas o resultado foi, agora, diferente – algo a que não será alheio o facto de a configuração parlamentar que saiu das eleições de 2024 ter dado mais assentos a deputados de partidos mais à direita.
Associações de defesa do consumidor, como a Verbraucherzentrale e a Foodwatch, condenaram a medida, argumentando que termos como “schnitzel vegan” ajudam o público a identificar melhor o tipo de produto. “Isto não é proteção do consumidor, é lóbi da indústria da carne”, afirmou Chris Methmann, da Foodwatch.
Supermercados e empresas alemãs — incluindo a Aldi Süd, a Lidl, a Burger King e a produtora de enchidos Rügenwalder Mühle — apelaram, também, ao Parlamento que rejeite a proibição, alertando que obrigar as marcas a inventar novos nomes irá “dificultar o acesso ao mercado e travaria a inovação”.
Uma sondagem de 2020 mostrou que 80% dos consumidores europeus não veem problema na utilização de designações como “salsicha de soja” ou “schnitzel vegetal”, desde que sejam claramente rotuladas como alternativas à carne.
Apesar da votação, o futuro da medida permanece incerto. Caberá agora aos governos nacionais e aos chefes de Estado da UE decidir se a medida irá ser aplicada nos termos em que foi aprovada.
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