O candidato independente à Câmara de Cascais António Pinto Pereira considerou esta quinta-feira que a autarquia “está voltada de costas” para as pessoas, sem resolver os seus problemas, e andou pela vila com dirigentes da Nova Direita e Nós, Cidadãos!.

“O concelho está abandonado. Nós pensamos que Cascais é uma terra muito rica, mas não é. Temos casas de 10 milhões de euros para estrangeiros, mas as pessoas que aqui vivem ganham 1.000 euros. Não têm uma casa para viver, não têm um emprego, vivem em condições de enorme dificuldade”, afirmou Pinto Pereira, em declarações à Lusa.

O advogado, que se desfiliou do Chega para se candidatar à câmara, com o lema “Mudar Cascais”, acrescentou que a autarquia “está voltada de costas para as pessoas, não procura resolver os problemas, procura fazer uma gestão imobiliária como se fosse uma empresa de imóveis, de negócios de imóveis”.

“As pessoas estão completamente abandonadas. É uma terra com lixo nas ruas, cinzenta, descaracterizada, perdeu a identidade. Esta antiga vila de reis e pescadores já não existe. Não tem reis, nem tem pescadores”, pois “querem acabar com eles aqui nesta praça”, apontou, em frente à Praia dos Pescadores e do Hotel Baía.

O candidato disse que começou a campanha em março, percorrendo todo o concelho, e falou “com as pessoas ricas, com as pessoas pobres, com os pescadores, com a comunidade africana, com a comunidade cigana” e em “todos os bairros sociais”, com “pessoas que nunca viram lá um político”.

O seu projeto, apoiado por dois partidos, é “completamente independente de qualquer tipo de interesses” e um bom resultado nas eleições de domingo será “ganhar as eleições”, para “ter força suficiente para poder efetivamente fazer a mudança”, acrescentou.

“Vamos ter quatro anos para tentar neutralizar as coisas que forem possíveis de resolver. Estou a pensar na Quinta dos Ingleses, que é um problema enorme”, no “Hotel Hilton, que é um desastre”, e “num conjunto de construções que foram autorizadas, muitas delas nos últimos meses, em cima do joelho”, exemplificou.

Notando que não precisa da câmara para ter emprego, o professor universitário admitiu que só consegue fazer o que propõe se tiver o “voto de confiança” dos cascaenses, mas, frisou, o seu “maior voto” e a sua “maior ambição” e “maior vitória é pôr toda a gente a votar no dia 12”.

Curiosamente, enquanto aguardavam pela chegada de mais apoiantes, uma mulher que passava, olhando para o ajuntamento, disse, sem reduzir a passada larga, “sai de lá um, vai para lá outro igual”.

A líder do Nova Direita, Ossanda Liber, candidata à autarquia lisboeta, foi apoiar Pinto Pereira, explicando que “é o melhor candidato que algum partido podia ter em Cascais”, uma vez que “é um homem de família” e “de valores”, que “ama a sua terra”, com “um propósito”, além de “livre e independente”, o que para si “é absolutamente relevante”.

O presidente do Nós, Cidadãos!, Joaquim Afonso, acrescentou que, como disse António Pinto Pereira, “e muito bem”, não são “nem de esquerda nem de direita, porque a independência e os movimentos de cidadãos independentes não têm cor política, são grupos de cidadãos que decidem candidatar-se para ter uma participação ativa na política”.

“Porque o bem-estar das populações não depende se é vermelho, se é amarelo, se é rosa, depende de pessoas capazes para mudar e para estruturar numa forma concreta, objetiva, profissional e sem interesses obscuros, o bem-estar das populações”, destacou.

Entoando palavras de ordem como “Com Pinto Pereira, Cascais fica à maneira”, a comitiva percorreu as ruas da vila, perante a admiração de turistas e perguntas de se “não há uma caneta?”, antes de rumar para um jantar na marina.

O executivo de Cascais, no distrito de Lisboa, é composto por sete eleitos da coligação Viva Cascais (PSD/CDS-PP), três da coligação Todos por Cascais (PS/PAN/Livre) e um do Chega.

Além de Pinto Pereira, concorrem às eleições de domingo, Nuno Piteira Lopes (PSD/CDS-PP), João Ruivo (PS), João Rodrigues dos Santos (Chega), Carlos Rabaçal (CDU), Alexandre Abreu (BE/Livre/PAN), Fábio Pereira (ADN), Manuel Simões de Almeida (IL) e o independente João Maria Jonet.