O líder parlamentar do PS afirmou esta segunda-feira ter a convicção de que o ex-secretário de Estado da Saúde socialista António Lacerda Sales está inocente no caso das gémeas, no qual foi acusado pelo Ministério Público de prevaricação.

“Espero naturalmente que tenha direito à sua presunção de inocência, que se defenda em tribunal e, claro, todos gostaríamos que a sua defesa em tribunal chegasse à conclusão de que é inocente, que é a convicção que tenho”, afirmou, depois de questionado sobre a acusação contra Lacerda Sales no caso da administração do medicamento Zolgensma a duas gémeas luso-brasileiras.

Eurico Brilhante Dias falava aos jornalistas, no Parlamento, depois de uma reunião com o Governo sobre as linhas gerais da proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

O deputado socialista salientou a sua “estima e amizade” com António Lacerda Sales, sublinhando, ao defender o respeito pela sua presunção de inocência, que conhece bem como o antigo governante “serviu o país, particularmente em momentos difíceis”.

Brilhante Dias frisou ainda que “os tribunais, com a sua independência, vão naturalmente julgar este caso”, argumentando que podem até chegar a uma “conclusão mais conforme com as da própria Comissão Parlamentar de Inquérito” sobre o caso.

O ex-secretário de Estado da Saúde, o filho do ex-Presidente da República, o ex-diretor clínico do Hospital Santa Maria e a mãe das gémeas luso-brasileiras são os quatro acusados pelo Ministério Público no caso da administração do medicamento Zolgensma.

Segundo a acusação a que a Lusa teve esta segunda-feira acesso, de 100 páginas, António Lacerda Sales, Nuno Rebelo de Sousa e Luís Pinheiro praticaram um crime de prevaricação em concurso aparente com o crime de abuso de poderes e Daniela Martins foi acusada do crime de burla qualificada.

Em relação a António Lacerda Sales, o Ministério Público acredita que o ex-secretário de Estado da Saúde sabia que, ao reencaminhar os emails de Nuno Rebelo de Sousa para Luís Pinheiro, então diretor clínico do Hospital Santa Maria, estava a influenciar a sua decisão, uma vez que estavam em causa comunicações do filho do Presidente da República.