Elon Musk, o multimilionário dono da Tesla e da Space X, tem feitos vários apelos na rede social X, da qual também é dono, para que os pais cancelem “pela saúde dos filhos” a subscrição da plataforma de streaming Netflix, depois de também o ter feito. Motivos? Os comentários do criador da série animada Dead End: Parque Paranormal sobre o assassinato de Charlie Kirk e uma personagem trans na própria série.

Na semana passada, Elon Musk anunciou que terminou a sua subscrição da Netflix e, desde aí, partilhou ou republicou, no total, 34 publicações, apelando aos seus seguidores para que façam o mesmo.

Estes apelos acabaram por surgir depois de a conta Libs of TikTok, um página na rede social X conservadora, ter partilhado, em setembro, duas publicações sobre a série animada Dead End: Parque Paranormal (Dead End: Paranormal Park, no original, em inglês), da Netflix, lançada em 2022 e cancelada no ano a seguir, depois de apenas duas temporadas, com 10 episódios cada.

Na segunda publicação que fez, a conta Libs of TikTok escreveu sobre o criador da série, partilhando uma suposta publicação do autor da série, em que Hamish Steele critica e chama “idiota” ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por este ter lamentado o assassinato de Charlie Kirk, ativista conservador baleado mortalmente no pescoço durante um evento numa Universidade no Utah, em setembro. Contudo, a autenticidade do print não pode ser confirmada, dado que Steele tem uma conta privada — o Observador, tal como vários órgãos de comunicação social internacional como a Forbes, por exemplo, não consegue confirma a veracidade da publicação.

“Vocês não adivinham quem é o criador desta série… o LGBTQ fã que ridicularizou a morte de Charlie e o chamou de nazi. Alguém está surpreendido?”, lê-se na partilha da conta Libs of TikTok.

Ainda no mesmo dia, Elon Musk envolveu-se na polémica. Numa primeira mensagem, antes de mencionar Hamish Steele , o multimilionário reagiu ao excerto da série publicado por Libs of TikTok, que dizia que  “promove a transexualidade em crianças”, por uma das personagens, Barney Guttman, afirmar ser transgénero. Musk citou a publicação da Libs of TikTok, dizendo que “isto não é normal”.

A seguir, noutra publicação, em resposta a uma publicação de Matt Van Swol, antigo membro do Departamento de Energia dos Estados Unidos, Elon Musk anunciou que tinha cancelado a sua subscrição da Netflix. Nessa publicação, ao qual Musk respondeu e concordou, Matt Van Swol mostrava ter cancelado a subscrição da plataforma de streaming, mencionando indiretamente Hamish Steele. “Se vocês empregarem alguém que celebrou o assassinato de Charlie Kirk e que faz conteúdo que promove ideias pró-trans aos meus filhos…. Nunca receberão um cêntimo do meu dinheiro”, lê-se.

Após estas duas primeiras publicações, o multimilionário, dono da Tesla e da Space X, pediu, então, aos seus 227,4 milhões de seguidores que cancelassem a Netflix, dirigindo-se, principalmente, aos pais que subscrevem o serviço de streaming. Este apelo foi feito através de uma resposta a um cartoon que criticava a Netflix por tentar influenciar as crianças com a sua “cultura transgénero woke”.

Desde aí, Elon Musk tem feito várias publicações e tem republicado outras de várias pessoas, insistindo no boicote à Netflix e mostrando exemplos de outras séries que abordam temas ligados à comunidade LGBTQIA+.

Depois da polémica, o criador de Dead End: Parque Paranormal, Hamish Steele, acabou por responder ao milionário na rede social Bluesky, afirmando que “provavelmente iria ser um dia muito estranho”.

Também o ator que fez a voz de Barney Guttman respondeu à publicação de Libs of TikTok. “Podem tentar causar o alarme que quiserem, mas vários pais e crianças disseram-me que a série lhes salvou as vidas”, escreve. Zach conta que também é transgénero e que se assumiu há 10 anos.

Elon Musk tem uma filha transgénero, Vivian Wilson, que tem criticado publicamente o pai pelas posições que o multimilionário assume em relação à comunidade LGBTQIA+.