Portugal está cada vez mais perto da sua sétima presença consecutiva em Campeonatos do Mundo. Na terceira jornada do Grupo F da fase de qualificação para a prova que vai decorrer no próximo ano na América do Norte, a Seleção Nacional voltou a sentir dificuldades no seu jogo posicional e só conseguiu chegar ao golo depois de efetuar 30 remates, com Rúben Neves a completar um cruzamento de Francisco Trincão no primeiro minuto do tempo de compensação (1-0). O inédito golo do médio ao serviço da Seleção chegou carregado de emoção, com Neves a dedicá-lo a Diogo Jota depois de se ter emocionado, beijado a camisola e apontado para o céu e para a tatuagem que tem com o eterno amigo, na parte inferior da perna esquerda. No final, o jogador do Al Nassr foi eleito o melhor em campo pelo GoalPoint.

Rúben, o improvável herói que é a personificação de uma estrela maior em forma de 21 (a crónica do Portugal-Rep. Irlanda)

Na partida frente à República da Irlanda, Cristiano Ronaldo chegou aos 50 jogos em qualificações para o Mundial e ficou à beira de se tornar no jogador com mais golos, não fosse Caoimhin Kelleher ter defendido o seu penálti. Curiosamente, há duas semanas, o guarda-redes do Brentford já tinha defendido uma grande penalidade de outro dos habituais marcadores de Portugal: Bruno Fernandes. Já Roberto Martínez continua invicto em qualificações para o Mundial, levando agora 18 vitória e três empates. Em termos coletivos, há um ano que Portugal não tinha três vitórias consecutivas, sendo que oito dos nove golos da Seleção nesta campanha foram marcados por jogadores do Campeonato… saudita. Desde os Magriços, na qualificação para o Mundial de 1966, que a equipa das quinas não tinha três vitórias ao cabo de três jogos em fases de apuramento para a competição. Feitas as contas, Portugal está a apenas cinco pontos do apuramento, precisando “apenas” de ganhar à Hungria e esperar que a Arménia não vença na Rep. Irlanda, na terça-feira.

“Foi um golo com a vontade de Diogo Jota. Disse anteriormente que cada um de nós levaria o Diogo para dentro de campo, a sua vontade, o seu sacrifício e a sua vontade de vencer. Foi o que aconteceu hoje [sábado]. Quando Trincão entrou, talvez cinco minutos antes do golo, disse-lhe que quando viesse para dentro, que eu sei que é o movimento que ele faz muitas vezes, eu entraria na segunda linha, entre os centrais. A primeira vez que ele cruzou, deu golo, tal como tínhamos combinado. Senti que poderia entrar naquele espaço e, se a bola entrasse no sítio certo, poderia marcar. Entrou no sítio certo. Nada está feito. Basta ganhar mais um jogo, isso sim. Vamos jogar em casa e aqui jogamos com 12, o que é uma vantagem para nós, torna tudo mais fácil”, explicou o novo camisola 21 na flash-interview da RTP.

“Foi o jogo que esperávamos. A Rep. Irlanda era melhor do que aquilo que vimos no estágio de setembro. Estava ferida depois do jogo com a Arménia e esperávamos uma reação e esta agressividade. Trabalhou muito bem. Mas para nós foi importante não ficarmos ansiosos, não perder a concentração e abrir contra-ataque e dar uma bola parada. Tivemos nove cantos contra zero da Rep. Irlanda. Não fizeram um remate à baliza. Em geral, o aspeto sem bola foi muito bom. Faltou marcar o golo mais cedo, mas gostei muito da resiliência, dos valores da equipa e de não perdermos o controlo… Foi uma vitória muito trabalhada, mas merecida. Golo? A força do Diogo está connosco e é sempre uma inspiração e uma oportunidade de continuar com o seu sonho, que é o nosso. É uma força especial e hoje foi uma festa. É mais um sinal de responsabilidade e da nossa missão de continuar o sonho do Diogo, que é também o sonho de todos nós”, começou por dizer Martínez na zona de entrevistas rápidas.

“A Rep. Irlanda era muita assimétrica e era difícil atacar com os nossos conceitos. A ideia era ter o Pedro Neto por fora, na esquerda, utilizar o Nuno Mendes com chegada por dentro e o Bernardo por dentro pela direita. São aspetos que conhecem e é difícil para o adversário. Os jogadores que entraram acrescentaram. Estou contente pela atitude e pelo compromisso. São sinais de felicidade, já tivemos isso durante o estágio de setembro. Marcámos durante o minuto 21, contra a Hungria sofremos ao minuto 21 e hoje, o Rúben Neves, que troca a sua camisola, marca com a garra, inteligência e chegada à área do nosso Diogo Jota. Para nós é um sinal, uma alegria sentir que o Diogo está com a família que é a Seleção, mas também que é uma responsabilidade lutar pelo sonho do Diogo Jota, que é o sonho de todos. Gonçalo Ramos? É importante ter o equilíbrio. Entrou muito bem, no momento certo para não abrir o que a Rep. Irlanda estava a tentar fazer”, concluiu na sala de imprensa.