Não foram apenas os reféns israelitas a serem libertados do cativeiro do Hamas esta segunda-feira. Conforme o acordo de paz estabeleceu, cerca de dois mil prisioneiros palestinianos saíram das prisões de Israel (250 dos quais estavam a cumprir uma pena de prisão perpétua) e regressaram aos territórios palestinianos.

No total, segundo organizações palestinianas, foram libertados 1.968 prisioneiros palestinianos. “A libertação é baseada nas listas publicadas que foram concordadas durante o acordo de cessar-fogo”, indicaram os grupos.

Nas ruas de Ramallah, apesar de as autoridades israelitas terem advertido para que não houvesse de celebrações, centenas de pessoas juntaram-se para receber os prisioneiros que estiveram detidos por Israel. No total, 88 pessoas regressaram à Cisjordânia, ao passo que cerca de 1.700 voltaram à Faixa de Gaza. Houve alguns que também foram países do Médio Oriente.

Só horas depois de os reféns terem regressado a Israel é que os prisioneiros palestinianos foram libertados. Em Ramallah, chegaram de autocarro. Muitos deles tinham sido condenados por crimes violentos, alguns dos quais por homicídio, como escreve o Guardian.

Um dos prisioneiros que foi libertado esta segunda-feira foi Saber Masalma. O membro da Fatah esteve 24 anos preso e regressou a Ramallah esta segunda-feira. Estava a cumprir a pena prisão perpétua por ter sido condenado por conspiração após ter colocado explosivos num local público. Um familiar notou que o homem “parecia um cadáver”. “Mas vamos trazê-lo de volta a vida.”

As celebrações tinham de ser modestas, ainda assim. Israel ordenou que as famílias dos prisioneiros evitassem festejos. Os militares israelitas distribuíram panfletos a avisar que “estavam a vigiar” os palestinianos “em todo o lado” — e deixaram a ameaça de que quem apoiasse “organizações terroristas” poderia ser detido.

A Al Jazeera teve acesso a 250 nomes de prisioneiros que foram libertados e que estavam condenados à prisão perpétua — 157 dos quais pertenciam à Fatah, 65 ao Hamas e o resto de outras fações políticas mais pequenas distribuídas nos territórios palestinianos. O recluso que esteve mais tempo detido foi Samir Ibrahim Mahmoud Abu Nameh — que estava atrás das grades desde outubro de 1986.

Muitos reclusos palestinianos denunciam os tratamentos “horríveis” que sofrem nas prisões israelitas. Ao Guardian, um que foi libertado esta segunda-feira confidenciou que as condições foram “muito, muito difíceis” e que pioraram desde o 7 de outubro de 2023. “Foram os piores anos da minha vida”, relatou. Em contraposição, Israel garante que cumpre as lei dispostas no Direito Internacional.

Nem todos os prisioneiros palestinianos foram libertados. Os mais perigosos continuam atrás das grades em Israel. Além disso, não é claro se muitos antigos reclusos vão continuar em liberdade nos próximos dias. Tahani Mustafa, especialista do think tank European Council on Foreign Relations, disse à Al Jazeera que Israel tem “uma longa história de usar as detenções como uma arma política” e usá-las como “moeda de troca no futuro”.

Por exemplo, em novembro de 2023, Israel libertou 240 prisioneiros palestinianos, também num acordo que previa a libertação de reféns israelitas. Semanas depois, as tropas israelitas detiveram 30. “Não há garantias nenhumas que os reclusos que foram libertados não voltem a ser presos”, frisou Tahani Mustafa.

[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]