O carro do jornalista de investigação italiano Sigfrido Ranucci ficou completamente destruído na sequência de um ataque com explosivos em frente à sua casa na noite desta quinta-feira, nos arredores de Roma.
O ataque aconteceu por volta das 22h00 locais (21h00 em Lisboa), em Campo Ascolano, localidade no sul de Roma, e atingiu não só o carro do jornalista, mas também o da sua filha e uma parte exterior do prédio onde residem. No local estiveram os Carabinieri (a polícia italina), os bombeiros e uma equipa forense, não havendo registo de vítimas.
“A minha filha passou à frente do meu carro alguns minutos antes da explosão. Eles poderiam tê-la matado”, lamenta o jornalista em declarações ao jornal italiano Corriere della Sera, após relatar que a filha tinha chegado a casa 20 minutos antes da explosão. Um vídeo dos estragos causados já foi publicado nas redes sociais do Report, o programa que Ranucci apresenta.
Ranucci explicou que foi usado um quilo de explosivos, colocados na parte de baixo do seu carro, referindo que a inexistência de câmeras de videovigilância pode dificultar a identificação dos responsáveis. “Estou no carro com os Carabinieri e vou denunciar tudo o que aconteceu”, garantiu o jornalista à agência de notícias italiana Ansa.
“Pode não ser uma coincidência ter acontecido isto dias depois de eu ter anunciado as novas investigações do Report”, sugere o jornalista que é alvo de ameaças há mais de 10 anos.
No passado domingo, Ranucci anunciou que o seu programa de investigação iria voltar ao ar no dia 26 de outubro com novos assuntos, depois de “decisões editoriais” terem suspendido o programa em julho deste ano. “Falaremos sobre o que está a acontecer na área da energia eólica e vamos voltar a falar sobre os bancos. Os bancos foram um dos principais focos do programa até alguns anos atrás. O que aconteceu? O que mudou?”, anunciou o jornalista num vídeo publicado nas redes sociais do programa.
O jornalista está sob escolta policial diária desde 2014, após terem sido descobertos os planos da máfia italiana ‘Ndrangheta, considerada a mais perigosa de Itália, para o assassinarem depois de Ranucci investigar práticas ilícitas em organizações criminosas. Ultimamente, tem vindo a denunciar cada vez mais intimidações, incluindo balas perdidas no jardim de sua casa e casos de perseguição por suspeitos já identificados pela sua escolta.
A primeira-ministra Giorgia Meloni já reagiu ao ataque, que classifica como um “ato de intimidação”, prestando solidariedade ao jornalista. “A liberdade e a independência da informação são valores não-negociáveis das nossas democracias, que continuaremos a defender”, pode ler-se numa publicação na rede social X.
Esprimo piena solidarietà al giornalista Sigfrido Ranucci e la più ferma condanna per il grave atto intimidatorio da lui subito. La libertà e l'indipendenza dell'informazione sono valori irrinunciabili delle nostre democrazie, che continueremo a difendere.
— Giorgia Meloni (@GiorgiaMeloni) October 17, 2025
Também os ministros dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, da Defesa, Guido Crosetto, e das Infraestruturas, Matteo Salvini, repreenderam o ataque “inaceitável” que afeta a “liberdade e independência da informação”.
Esprimo ferma condanna per il grave atto intimidatorio subito dal giornalista Sigfrido Ranucci e dalla sua famiglia, ai quali rivolgo la mia piena solidarietà. Non esiste motivazione che possa giustificare questa violenza.
— Antonio Tajani (@Antonio_Tajani) October 17, 2025
"Un gesto gravissimo, vile, inaccettabile.
Un ordigno ha fatto esplodere l’auto di Sigfrido Ranucci, davanti alla sua abitazione.
Per fortuna nessuno è rimasto ferito, ma resta la gravità estrema di un atto che colpisce non solo un giornalista, ma la libertà stessa di informare e… pic.twitter.com/KcTZ5PXPwY— Ministero Difesa (@MinisteroDifesa) October 17, 2025
Quanto successo a Pomezia è di una gravità inaudita e inaccettabile. Totale solidarietà a Sigfrido Ranucci e alla sua famiglia.
— Matteo Salvini (@matteosalvinimi) October 17, 2025