José Manuel Anes, antigo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), foi esfaqueado durante a manhã desta segunda-feira na sua própria casa, avançou o Diário de Notícias citando fonte da PSP e confirmou o Observador. A filha, que é a principal suspeita do ataque, segundo apurou o Observador, foi formalmente detida ainda na última noite pela Polícia Judiciária (PJ), que está a investigar o caso como uma tentativa de homicídio. Deverá ser presente a tribunal entre terça e quarta-feira para poderem ser aplicadas as medidas de coação. A CNN Portugal aponta o internamento compulsivo como uma possibilidade.

O alerta foi dado pouco antes das 14h desta segunda-feira, tendo-se deslocado ao local um carro patrulha, relatou a PSP em comunicado. Testemunhas no local informaram as autoridades que uma suspeita, alegadamente a filha, tinha sido vista a sair de casa. “Temendo pela integridade física do mesmo, já tendo conhecimento do histórico de violência doméstica, deslocou-se de imediato à sua residência onde se deparou com o homem de 81 anos prostrado no solo ensaguentado”, pode ler-se no comunicado. Os agentes da PSP constaram que a vítima tinha cortes na barriga, mãos e pernas e ainda hematomas nos olhos “provocados pelos dedos da suspeita”.

O Observador sabe que a Polícia Judiciária está a investigar publicações nas redes sociais alegadamente feitas pela filha de José Manuel Anes em que alude à tentativa de homicídio. “Eu Acho que deixei o meu pai #joseanes sem olhos, mas devem ouvir dizer que eke morreu pacificamente. A mossad sabe limpar cenas“, pode ler-se numa publicação numa conta no Facebook identificada como pertencendo à filha de Anes, feita durante a tarde desta segunda-feira. “Da parte de baixo tiro fotos…o animal…era tinhoso…mas disse coisas interessantes sobre #camarate”. “A seguir devia fazer uma visita ao idiota do #joaoannes que aparece com o frufru das #idf. As contas dele tb devem estar bem recheadas. Porque? #sieds. Ai isto vai ser giro”, lê-se noutra.

O criminalista foi levado para o Hospital de São José, onde deu entrada pelas 14h50 e onde foi diagnosticado com um “quadro reservado por causa de um hematoma cerebral”, mas encontra-se, neste momento, livre de perigo.

O OSCOT, organismo do qual Anes foi um dos fundadores, emitiu um comunicado, citado pelo Expresso, em que confirma que este deu entrada no hospital com “ferimentos graves com recurso a arma branca”. O Observatório afirma ainda que “acompanha a evolução da situação e endereça votos de rápida recuperação”.

José Manuel Anes, de 81 anos, ajudou a fundar o OSCOT em 2006, ao qual presidiu entre 2010 e 2012. Atualmente, é presidente do Conselho Consultivo do Observatório e diretor da revista especializada “Segurança e Defesa”. Foi um dos primeiros rostos do movimento de apoio à candidatura presidencial do Almirante Gouveia e Melo, mas, no início deste ano, admitiu, em declarações à Rádio Observador, que houve “precipitação” na forma como este movimento foi formado e afastou-se do mesmo.

Com uma licenciatura em Química e um doutoramento em Antropologia Social, é, professor universitário, especialista em segurança e criminalidade e maçon assumido, tendo já sido grão-mestre da Grande Loja Regular de Portugal. Publicou ainda vários livros sobre esoterismo e espiritualidade.

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Notícia atualizada esta terça-feira às 15h1o com informação da detenção formal da filha de José Manuel Anes