A notícia infeliz acabou se transformar numa homenagem espontânea: o anúncio da morte de Francisco Pinto Balsemão ocorreu durante um Conselho Nacional do PSD. É não só o partido que fundou, mas também o mesmo órgão que o elegeu pela primeira vez (antes de vencer dois Congressos) líder do PSD e o indicou primeiro-ministro, a mais alta função política que desempenhou. Antes de qualquer notícia nos órgãos de comunicação social, Luís Montenegro anunciou do púlpito que tinha morrido Balsemão. Seguiram-se, como relatou um ministro ao Observador, “vários minutos de aplausos” na sala — que foram, de resto, audíveis do exterior.
Após a homenagem dos conselheiros, foi o próprio Luís Montenegro a falar de imediato aos jornalistas. Começou por dizer, precisamente, que dentro do Conselho Nacional já tinha sido feita uma “justa e merecida homenagem” ao fundador. O primeiro-ministro manifestou depois a “consternação” pela morte de Francisco Pinto Balsemão.
Montenegro, que foi apanhado de surpresa pela notícia, explicou que “francamente” ainda não tinha tido “nenhum espaço de tempo” para se “poder reorganizar à luz deste acontecimento que não estava naturalmente nas previsões nem expectativas, apesar de sabermos o estado de saúde em que Francisco Pinto Balsemão se encontrava”. Até porque ele era um “lutador”.
Ainda assim, o líder do PSD antecipava uma “predisposição” para na reunião do Conselho de Ministros desta quarta-feira se “decretar luto nacional no dia em que se vão realizar as cerimónias fúnebres do dr. Francisco Pinto Balsemão”. Revelou até já ter falado com ministros sobre essa possibilidade. O dia dependerá, porém, da data das cerimónias fúnebres e Montenegro tem mesmo de seguir para Bruxelas para depois participar na reunião do Conselho Europeu já esta quarta-feira.
A reunião do órgão máximo entre Congressos já não seria a mesma, com muitos conselheiros no exterior e outros tantos com pouca atenção à discussão — em torno de vários regulamentos — que foi ocorrendo até por volta da meia-noite. O número dois do Governo, Paulo Rangel, também saiu da sala para falar aos jornalistas sobre o legado de um “homem intrinsecamente livre”. O que aconteceria também, já no fim da reunião, com o homem que geria os trabalhos, Miguel Albuquerque, que revelou as conversas sobre Inteligência Artificial que tinha com o amigo Balsemão e recordou os momentos em que ambos formavam uma banda improvisada: um (Albuquerque) tocava piano, outro (Balsemão) tocava bateria.
O que aconteceu antes do acontecimento da noite
O Conselho Nacional tinha como primeiro ponto a Análise da Situação Política. Ou seja: balanço das autárquicas. Antes de se saber da morte do fundador, Montenegro fez a sua leitura das autárquicas. Começou por lembrar que em maio de 2022 — quando o PS tinha acabado de conquistar a maioria absoluta — definiu como objetivo a liderança da ANMP e foi “gozado“.
No entanto, diz agora Montenegro, o resultado das autárquicas foi “significativo do ponto de vista quantitativo e qualitativo: o PSD vai presidir ao maior número de câmaras municipais, de juntas de freguesias e governa câmaras municipais em todos os distritos do país, o que não acontecia desde o 25 de Abril”.
O primeiro-ministro acrescentou que, além de conquistar 136 municípios, apoiou mais cinco independentes. E se não puxou a si os louros da vitória de Isaltino Morais, lembrou que os concelhos de Setúbal e Santiago do Cacém não teriam sido ganhos sem o apoio do PSD. Acrescentou ainda que conquistou os “cinco maiores municípios do país”, mas também concelhos do interior.
A par de tudo isso, Luís Montenegro agradeceu ainda “aos membros do Governo” por terem “uma disponibilidade que não é muito normal” para a campanha autárquica. O primeiro-ministro fez também questão de individualizar “o Sebastião Bugalho” pela ajuda que deu na campanha autárquica. Antes já tinha também personalizado o agradecimento ao secretário-geral Hugo Soares, ao coordenador autárquico Pedro Alves e a outras figuras essenciais na máquina do PSD como Paulo Cavaleiro ou Ricardo Carvalho.
Montenegro disse ainda que já “está a começar agora o trabalho para as autárquicas de 2029” e promete apresentar, em breve, o coordenador para essa eleição. Luís Montenegro voltaria ainda a classificar de “grande vitória” o resultado das autárquicas, mas pediu ao partido para não baixar os braços: “Vamos ao trabalho”.
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