É um sinal importante para Luís Marques Mendes. Nuno Morais Sarmento, antigo ministro de José Manuel Durão Barroso e adversário do agora candidato presidencial em muitas guerras internas do PSD, declarou esta segunda-feira o apoio ao social-democrata. O homem forte do barrosismo assume que ponderou votar em Henrique Gouveia e Melo ou em António José Seguro, mas acabou por optar por Mendes, o “único candidato preocupado em recordar o extraordinário progresso” que o país conheceu “nos últimos 50 anos”.
“[Luís Marques Mendes] é o único candidato que o país conhece e o único candidato em que por isso, e olhando ao seu percurso de mais de 30 anos de presença pública, os portugueses podem ter confiança. E é de confiança de que tratamos nestas eleições”, defende Nuno Morais Sarmento, num vídeo partilhado pela candidatura do social-democrata.
Na mesma declaração, o antigo ministro explica que não encontrou uma “razão diferenciadora forte” para votar em António José Seguro. Depois, dedica alguns minutos a explicar o porquê de não apoiar Henrique Gouveia e Melo, cujo mandatário nacional é Rui Rio, de quem Nuno Morais Sarmento chegou a ser primeiro vice-presidente quando este era líder do PSD.
“Tendo-se apresentado, num primeiro momento, como alguém que tinha uma visão aberta do mundo, uma visão mais civil do que militar da nossa democracia, [Henrique Gouveia e Melo] rapidamente iniciou um percurso de ziguezague em que, infelizmente, parece ser mais importante a procura de determinados apoios do que a afirmação das suas ideias”, lamenta Morais Sarmento, mesmo fazendo questão de dizer que respeita o almirante.
Tudo somado, e estendendo a crítica aos dois — Seguro e Gouveia Melo —, o social-democrata critica o facto de os candidatos se estarem a tentar afirmar como sendo “fora do sistema”. “Quanto mais isso se foi afirmando, mais ganhei a certeza de que Luís Marques Mendes [era a escolha certa]. Precisamente, porque a sua posição é contrária: é de se reconhecer num sistema que nos garantiu os 50 anos de democracia e os patamares de desenvolvimento que fomos conseguindo”, sublinha.
Uma das lutas mais intensas pela liderança do PSD acabou por colocar, precisamente, Durão Barroso contra Pedro Santana Lopes e Luís Marques Mendes, num congresso que ficou para a história pelo duro ataque de Barroso a Santana Lopes, o tal que era um “misto de Zandinga e Gabriel Alves“. Anos mais tarde, Santana sucedeu a Barroso no cargo de primeiro-ministro e Morais Sarmento continuou como ministro de Estado e da Presidência. Mendes, pelo contrário, deixou o executivo e afirmou-se como um crítico da governação.
Santana caiu e Marques Mendes teve oportunidade de chegar à liderança do PSD. Nesse período, foi Morais Sarmento quem não se coibiu de criticar publicamente o então líder social-democrata — chegou a dizer que Marques Mendes não tinha “causas nem carisma” enquanto presidente do PSD. Mendes aguentou pouco no cargo e acabou vítima de Luís Filipe Menezes, afastando-se da vida política. Sarmento voltaria mais tarde, desta vez ao lado de Manuela Ferreira Leite, até sair de cena novamente no ciclo de Pedro Passos Coelho, que devolveu o partido ao poder.
Na sucessão de Pedro Passos Coelho, Nuno Morais Sarmento regressou mais uma vez à política como primeiro vice-presidente de Rui Rio. Na SIC, Luís Marques Mendes fustigava recorrentemente o então presidente social-democrata, que nunca escondeu a antipatia que nutria por Mendes. O próprio Morais Sarmento foi-se afastando progressivamente de Rio, ao ponto de não o apoiar na disputa interna com Paulo Rangel — combate que Rio venceu.
Sarmento esteve depois gravemente doente e afastado do espaço público e mediático. Regressou pela mão de Luís Montenegro, que fez dele um dos convidados de honra do 41.º Congresso do PSD. É hoje presidente da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e comentador na CNN Portugal.