A economia portuguesa acelerou e cresceu no terceiro trimestre 2,4% em termos homólogos e 0,8% em cadeia, na primeira leitura anunciada esta quinta-feira pelo INE.

Nestes dados preliminares o INE ainda não divulga as variações das várias componentes, mas dá já uma ideia do que pode ter levado a esta aceleração do PIB nacional no segundo trimestre. Houve uma “aceleração do consumo privado” e das exportações.

Foi neste terceiro trimestre que as novas tabelas de retenção, com a descida do IRS, entraram em vigor, colocando mais dinheiro mensalmente no bolso dos trabalhadores e pensionistas. E foi também pago, novamente este ano, um suplemento extraordinário aos pensionistas no mês de setembro.

Segundo o INE, “o contributo positivo da procura interna para a variação homóloga do PIB manteve-se próximo do observado no trimestre anterior, verificando-se uma aceleração do consumo privado e uma desaceleração do investimento”. Já na procura externa, sentiu-se, em termos homólogos, uma aceleração das exportações de bens e serviços e uma desaceleração das importações.

Já na comparação em cadeia, a procura interna aumentou o seu contributo positivo, devido, em particular, ao consumo privado. As exportações, nesta análise em cadeia, já não contribuíram tanto para a subida, tendo “a aceleração das importações de bens e serviços sido mais pronunciada que a das exportações”. O Banco BPI, numa primeira reação, admite que este comportamento das importações pode estar relacionado com “o incremento das viagens de residentes para o exterior, impulsionando as importações de serviços”.

O Banco BPI salienta que, no consumo, os indicadores apontavam para esse impulso. “Os levantamentos e compras realizadas com cartões, as vendas a retalho deflacionadas e as vendas de automóveis sugeriam que o consumo se mantinha robusto. Da mesma forma, a faturação na indústria mostrava, nos dois primeiros meses do trimestre uma evolução favorável face ao trimestre anterior”.

Os indicadores divulgados esta quinta-feira pelo INE ficam acima das expectativas dos economistas. À Lusa tinham estimado uma evolução entre 1,9% e 2,2% em termos homólogos e entre 0,3% e 0,6% em cadeia.

Isto depois de um crescimento de 1,8% no segundo trimestre em termos homólogos (compara o trimestre de um ano com o do ano anterior) e de 0,7% em cadeia (que compara um trimestre com o anterior trimestre), valores do segundo trimestre que tinham sido revisto pelo INE em setembro.

Os resultados mais detalhados referentes ao terceiro trimestre serão divulgados pelo INE a 30 de novembro. Se nesta data o crescimento de 2,4% for confirmado, a meta do Governo de, no conjunto do ano, o PIB subir 2% fica alcançável. O BPI aponta para um crescimento do PIB em 2025 de 1,8%. O Ministério das Finanças, em comunicado, considera que o dado divulgado esta quinta-feira “reforça a confiança que existe relativamente à economia nacional e a convicção do Governo de que é possível atingir um crescimento de 2% este ano, como consta da previsão incluída na proposta de Orçamento do Estado para 2026″. Para o gabinete de Miranda Sarmento, “a economia portuguesa continua a demonstrar uma elevada resiliência”, isto “depois dos efeitos negativos da incerteza internacional e da guerra comercial e dos choques geopolíticos”.

Ainda assim, segundo também dados do INE, e antecipando o último trimestre, o indicador de clima económico diminuiu em outubro, “interrompendo o movimento ascendente observado nos últimos três meses. Os indicadores de confiança diminuíram na Indústria Transformadora e nos Serviços, tendo aumentado no Comércio e na Construção e Obras Públicas”.

Já o indicador de confiança dos Consumidores aumentou em setembro e outubro. “A evolução observada no último mês resultou dos contributos positivos das perspetivas sobre a evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias, da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar”, aponta o INE.

Neste terceiro trimestre, Portugal cresceu, assim, acima da Zona Euro e da União Europeia, blocos que cresceram, respetivamente, 1,3% e 1,5% em termos homólogos. Portugal, nos dados divulgados pelo Eurostat que inclui 15 países, fica com a quarta maior subida, ex aequo com a Suécia. Irlanda (12,3%), Espanha (2,8%), e Chéquia (2,7%) subiram mais. Na análise da variação em cadeia, o PIB da Zona Euro subiu 0,2% e na União Europeia 0,3%. Portugal, nesta análise, teve a segunda maior subida, depois da Suécia. “Este crescimento da economia portuguesa no terceiro trimestre é assim o maior registado entre os países da Zona Euro que hoje divulgaram estimativas rápidas”, salienta o Ministério das Finanças.

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