Durante 14 minutos viveram-se cenas de pânico a bordo do comboio de alta velocidade da LNER que partiu, passava pouco depois das 19h30 de sábado, da  partiu da estação de Peterborough, transportando, entre outros passageiros, adeptos do Nottingham Forest que regressavam de um jogo. Houve quem corresse em direção ao fim das carruagens para tentar fugir e quem se trancasse nas casas de banho para se proteger do ataque levado a cabo por um cidadão britânico de 32 anos, de ascendência africana, que gritou “o diabo não vai vencer” enquanto atacava vários passageiros com uma faca de cozinha.  “As cadeiras estavam cobertas de sangue. Parecia uma cena de filme”, descreveu uma testemunha ao Telegraph.

Onze pessoas feridas em esfaqueamento num comboio com destino a Londres. Foram detidos dois suspeitos

A polícia descarta que se trate de um caso de terrorismo, mas continua a investigar o motivo do ataque, que levou ao reforço da segurança em estações e comboios em todo o país. O ataque deixou 11 pessoas feridas, sendo que cinco já tiveram alta. As autoridades britânicas, citadas pela BBC, acrescentaram que um dos feridos se encontra em estado grave.

De acordo com os relatos, o suspeito atacou os passageiros enquanto gritava frases religiosas. Uma testemunha, Dayna Arnold, de 48 anos, contou que o homem se aproximou dela com a arma branca na mão: “Pedi-lhe, ‘por favor, não faças isto‘. Ele olhou-me nos olhos e disse: ‘O diabo não vai vencer'”.

Quando o comboio parou em Huntingdon, o suspeito foi visto pelas câmaras de vigilância a caminhar pela plataforma com a faca ainda na mão. Segundo o motorista de táxi Viorel Turturica, que testemunhou a detenção, o homem “riu-se e disse ‘o diabo ganha sempre'”. Foi detido sob suspeita de tentativa de homicídio e permanece sob custódia. Um segundo homem, de 35 anos, que tinha sido detido para averiguações, foi libertado sem acusações.

Polícia britânica revela que há apenas um suspeito do esfaqueamento num comboio com destino a Londres

Ataque provocou resposta imediata das forças de segurança britânicas

Um porta-voz do Serviço de Ambulância indicou à BBC que os serviços de emergência receberam o alerta para um esfaqueamento às 19h39. “Mobilizámos uma resposta em larga escala para a estação de comboios de Huntingdon, que incluiu numerosas ambulâncias, comandantes táticos, a nossa Equipa de Intervenção Permanente e equipas de cuidados intensivos”, detalhou.

A Polícia dos Transportes Britânicos (BTP, na sigla inglesa) anunciou um reforço da presença policial nas principais estações e comboios da linha East Coast, entre Doncaster e Londres, — medida que se prolongará pelo menos até terça-feira. O vice-chefe da polícia, Stuart Cundy, classificou o episódio como “um ataque horrendo com impacto profundo” e afirmou que os pensamentos da corporação estão “com os feridos e as suas famílias, especialmente com o membro da equipa ferroviária que demonstrou coragem extraordinária”.

Uma das vítimas mais graves é um funcionário da companhia ferroviária, que tentou travar o atacante. O maquinista foi também elogiado por ter conseguido travar de emergência o comboio na estação de Huntingdon, permitindo a evacuação dos passageiros e a rápida intervenção da polícia. Ambos foram saudados como heróis por terem evitado uma tragédia ainda maior.

O Governo britânico também prometeu medidas adicionais. A ministra do Interior, Shabana Mahmood, deverá prestar declarações no Parlamento, enquanto Chris Philp, o ministro sombra dos conservadores, defendeu “um aumento das revistas policiais” e a expansão do uso de câmaras de reconhecimento facial em centros urbanos e estações ferroviárias, com o objetivo de “retirar mais facas das ruas e identificar criminosos perigosos”. O Ministério do Interior (equivalente ao Ministério da Administração Interna em Portugal) confirmou que lançará em breve uma consulta pública sobre o uso alargado desta tecnologia.

Tanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, como o Rei Carlos III expressaram solidariedade com as vítimas. Starmer descreveu o ataque como “profundamente preocupante”. “Os meus pensamentos estão com todos os afetados e o meu agradecimento aos serviços de emergência pela sua atuação”, escreveu na rede social X.

Por seu turno, o monarca britânico afirmou estar “chocado” com o ataque. “A nossa profunda simpatia e os nossos pensamentos estão com aqueles que foram afetados e com os seus entes queridos. Estamos particularmente agradecidos aos serviços de emergência pela sua resposta a este incidente terrível”, pode ler-se no comunicado atribuído a Carlos e à rainha consorte Camila.