O partido Juntos pela Catalunha anunciou esta quinta-feira que vai vetar todas as leis apresentadas pelo Governo de Pedro Sánchez ao Congresso bem como em todas as leis que vierem a ser aprovadas em Conselho de Ministros. Desta forma, os independentistas catalães dão mais um passo para romper com a governação do PSOE em Espanha e assumem que, a partir de agora, a “legislatura está bloqueada”.
“A legislatura está agora bloqueada“, declarou a porta-voz do Junts na Câmara dos Deputados, Míriam Nogueras, citada pelo El Mundo. Sem o apoio do sete deputados do Junts, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, perde a maioria de deputados no Congresso que lhe tem permitido governar o país.
Já na semana passada, o Juntos pela Catalunha, liderado por Carles Puigdemont, tinha anunciado o fim dos acordos firmados com o PSOE — que levaram à recondução de Sánchez como presidente do Governo em 2023 — alegando que aquele partido e o executivo de Sánchez não cumpriram os acordos. Em causa está, sobretudo o reconhecimento do catalão como língua oficial nas instituições europeias ou a transferência de competências na área da imigração para o executivo catalão — compromissos assumidos pelo executivo de Sánchez e ainda não cumpridos.
E mesmo a questão da amnistia prometida aos independentistas não está plenamente concretizada A lei foi aprovada, vários dirigentes catalães já foram amnistiados, mas os juízes do Tribunal Supremo de Espanha continuam a recusar aplicar a lei a Puigdemont.
A porta-voz do Juntos pela Catalunha considera “inaceitável e incompreensível” que os deputados socialistas catalães e do Sumar “não façam nada perante a incapacidade do governo espanhol em cumprir os seus compromissos para com o povo catalão.” Nogueras afirmou também “não poderia haver estabilidade no Governo se este não cumprisse as suas promessas ao povo catalão”.
Partido de independentista catalão Puigdemont rompe acordos com PSOE de Sánchez
Desta forma, o partido decidiu propor alterações à totalidade das 25 leis atualmente em tramitação na Câmara e anunciou que não votará a favor das 21 leis que estão perto do fim do seu processo legislativo e das que vieram a ser aprovadas em Conselho de Ministros.
O Juntos pela Catalunha admite que o bloqueio à ação do Governo de Sánchez será total. Embora não descarte uma mudança de posição, Nogueras admite que será difícil que o partido reverta a decisão tomada uma vez que, desde que anunciaram a rutura com o governo, há uma semana, os responsáveis do Juntos pela Catalunha não receberam nenhum sinal nem contacto do executivo.
Entretanto, o presidente do Partido Popular (formação que lidera as sondagens) já reagiu à decisão do partido catalão de bloquear a governação de Sánchez “Como era isso do Governo mais estável da Europa?”, escreveu Alberto Núñez Feijóo, de forma irónica, na rede social X, aludindo a declarações do presidente do Governo, Pedro Sánchez, que tem vindo a sublinhar a estabilidade da governação em Espanha.