O Governo português classifica a parceria entre a União Europeia e os países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) como “uma aliança estratégica” na economia, mas também nos “valores partilhados” e espera avanços na cimeira.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, participa, no sábado e no domingo, na 4.ª Cimeira UE-CELAC em Santa Marta, na Colômbia, na qual estará acompanhado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ana Isabel Xavier.
Fonte do Governo português considera que o encontro “será essencial no reforço das relações da União Europeia com a América Latina e as Caraíbas, quer no plano político, quer na dimensão económica“.
“Portugal olha para a parceria UE-CELAC como uma aliança estratégica de enorme potencial económico e comercial, mas também de valores partilhados: da democracia, dos direitos humanos, da justiça social, da sustentabilidade ambiental e da abertura ao mundo”, refere a mesma fonte.
Da cimeira, espera-se que saia uma declaração comum que sele esse “entendimento partilhado” e avanços em alguns domínios específicos de particular importância para ambos os blocos, como o combate ao crime organizado ou o reforço da cibersegurança.
Com mais de mil milhões de pessoas, os 33 países da CELAC e os 27 Estados-membros da UE representam, em conjunto, 14% da população mundial, 21% do PIB mundial e um terço dos membros da ONU.
“Portugal tem sido um constante apoiante desta agenda de reaproximação entre duas regiões tradicionalmente muito próximas”, salienta-se.
O primeiro-ministro português tem defendido, por exemplo, uma rápida implementação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul (Mercado Comum do Sul), numa altura em que há notícias de que a sua aprovação pelo Conselho Europeu poderá estar para breve.
“Damos um mau exemplo se não conseguirmos implementar um acordo que nós próprios negociámos”, defendeu Montenegro na Assembleia da República em junho.
O acordo, sustentou então, “abre um espaço comercial com mais de 700 milhões de consumidores” e dá à Europa “a vantagem de poder exigir reciprocidade nas regras aplicáveis às empresas de um lado e do outro do Atlântico”.
O Governo português sublinha também a importância de outras iniciativas como a “Global Gateway”, em que o país tem participado na Costa Rica ou no Brasil.
A iniciativa “Global Gateway” (Portal Global) é a estratégia da UE para impulsionar ligações inteligentes, limpas e seguras nos setores digital, da energia e dos transportes, e para reforçar os sistemas de saúde, educação e investigação em todo o mundo, tendo mobilizado, entre 2021 e 2024, mais de 306 mil milhões de euros em investimentos.
A cimeira UE-CELAC tem como objetivo central fortalecer a cooperação entre os dois blocos, cujo comércio bilateral cresceu mais de 45% na última década, ultrapassando os 380 milhões de euros em 2024.
Desde a criação da CELAC, em 2010, realizaram-se três cimeiras com a União Europeia: em 2013, 2015 e 2023, tendo ficado decidido na última que estes encontros passariam a acontecer de dois em dois anos.
Em 2022-2023, o comércio total em bens e serviços entre a UE e a região da América Latina e Caraíbas (CELAC) atingiu cerca de 395 mil milhões de euros, representando um crescimento de aproximadamente 45% face a 2013.
As reservas de investimento direto estrangeiro da UE na região eram aproximadamente 741 mil milhões de euros em 2022, número comparável ao investimento total da UE combinado em China, Índia, Japão e Rússia.
Para 2025, a UE destinou cerca de 120 milhões de euros em ajuda humanitária para países da América Latina e do Caribe.
Também está prevista uma nova carteira de investimentos de até 45 mil milhões de euros até 2027 para apoiar infraestruturas, transição verde, digitalização e diversificação económica na região.