A candidatura de Henrique Gouveia e Melo veio acusar a agência Lusa de ter publicado uma notícia “falsa” sobre os motivos que o levaram a candidatar-se à Presidência da República. E a agência já respondeu, com uma nota da direção de informação dura, em que repudia a acusação e garante ter cumprido todas as regras deontológicas.

Tudo começou com a notícia da Lusa sobre um excerto do livro da jornalista e diretora-adjunta do Diário de Notícias Valentina Marcelino, intitulada “Gouveia e Melo revela que foi tentativa de Marcelo para o travar que o levou a candidatar-se”.

Nessa notícia, a Lusa contava que, no livro — que consiste numa entrevista longa ao candidato — Gouveia e Melo diz que foi um artigo do Expresso que o fez “definir o rumo”. “Porque quando o li, fiquei mesmo danado”, afirma no livro Gouveia e Melo – As Razões.

O artigo indicava que Marcelo pretendia reconduzir Gouveia e Melo como chefe do Estado-Maior da Armada para evitar a sua candidatura presidencial. Ora, partindo daqui, a Lusa escreveu que o artigo tinha determinado esse avanço de Gouveia e Melo.

Mas o militar diz agora que esse artigo é falso. Numa nota à comunicação social, a candidatura diz que a notícia é “falsa e enferma de uma falta de rigor inaceitável, razão pela qual se exige a reposição da verdade dos factos”.

“Não se refere, em momento algum, durante a entrevista” para o livro As Razões como “tendo sido o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, ou qualquer declaração sua, a motivação para se candidatar à Presidência da República, conforme pode ser facilmente comprovado nas páginas 123, 124 e 125 do referido livro”, refere a nota.

A notícia, segundo a candidatura de Gouveia e Melo, “é falsa, e porque na política e no jornalismo não pode valer tudo” solicitou a publicação de um esclarecimento.

A direção de informação da Lusa já veio responder, “rejeitando e repudiando as acusações” do candidato presidencial: nem a notícia é falsa nem a agência “contribui para a desinformação e manipulou declarações de Henrique Gouveia e Melo, como refere a candidatura”.

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“Como bem diz na sua nota a candidatura de Gouveia e Melo, ‘na política não pode valer tudo’”, conclui a Direção de Informação da Lusa, mantendo e voltando a reproduzir a notícia e frisando que Gouveia e Melo “diz expressamente que foi um artigo publicado no Expresso, a 3 de outubro de 2024, sob o título ‘Almirante quer mais dois submarinos para ficar na Armada e desistir de Belém”, que o levou a “definir o rumo’ ou seja, a avançar com a candidatura”.

No livro de Valentina Marcelino, Gouveia e Melo ataca duramente o Governo e Marcelo: “De facto o Governo — e também o senhor Presidente da República — não pareciam interessados em nada da Defesa, para além de fazerem umas correções nos ordenados dos militares. Assim, deduzi que o que pretendiam era que eu ficasse amarrado à Marinha com o eventual ‘prémio’ de, no fim, poder ser CEMGFA e atingir o topo da carreira militar. Pensaram, especulo eu, que ficaria muito contente por me darem a oportunidade”, desabafa.

O almirante que chefiou a Marinha e o processo de vacinação contra a Covid-19 deixa a ideia de que a estratégia do que pretendiam travar a sua candidatura saiu completamente furada: “Essas pessoas verdadeiramente não me conheciam…essa é a única coisa que eu nunca faria: ser príncipe só para cortar fitas”.

“Ora, queriam dar-me importância sem me darem poder para fazer nada. Muito obrigado. Foi aí que decidi: Vou entrar no campo das verdadeiras decisões, a política”, assegura.