A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) insistiu esta terça-feira no apelo à população para a doação de sangue para fazer face à diminuição das reservas abaixo do normal nos hospitais, nomeadamente de O+.
“Para fazer face a esta demanda e dado a diminuição das reservas de sangue nomeadamente do 0+, apelamos a todas as pessoas saudáveis que é muito importante contribuir com a sua dádiva para o bem-estar e saúde dos milhares de doentes que dela necessitam”, refere o presidente da FEPODABES, em comunicado.
À Rádio Observador, o presidente da federação, Alberto Mota, critica a falta de estratégia do Governo para gerir as doações de sangue, em especial nas alturas em que existe escassez. “É bom ter hospitais a fechar às 15h00 da tarde?“, questiona, referindo-se aos serviços hospitalares onde são feitas as doações.
E nota: “São os hospitais que precisam de sangue para tratar dos seus doentes, não é o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) nem as associações. Deixo este grande apelo à tutela.”
Doação de sangue. “Tem que haver uma estratégia do próprio Governo”
Nas redes sociais, a Direção Geral de Saúde recorda: “Dar sangue é dar vida. Dê o seu contributo para ajudar quem mais precisa. Amanhã podemos ser nós, ou a nossa família, a precisar. É a melhor parte de si!”
Alberto Mota lembra que a necessidade de sangue é uma constante nos hospitais, já que os doentes oncológicos, os que são submetidos às mais diversas cirurgias ou aqueles que são vítimas de acidentes recorrem muitas vezes à transfusão sanguínea.
“As pessoas, infelizmente, cada vez doam menos e os dadores regulares, são gerações que estão a envelhecer, que já não podem dar sangue a partir dos 65 anos e, portanto, isto é uma luta diária para que os mais jovens venham a doar sangue”, refere.
Na nota, a Federação recorda que o processo de recolha de sangue é um procedimento rápido (cerca de 30 minutos), e pode ajudar a salvar várias pessoas, já que uma única unidade de sangue pode servir para ajudar até três pessoas.
“Todos os cidadãos com mais de 18 anos, que tenham mais de 50kg e que sejam saudáveis podem dar sangue. Esse gesto simples contribui para salvar muitas vidas”, apela Alberto Mota.
Segundo um relatório do IPST, de novembro, Portugal registou em 2024 uma nova redução de dadores de sangue, totalizando quase menos 10 mil em relação a 2017, e voltando a níveis próximos do período pré-pandemia.