Mariam Cissé, influencer do Mali conhecida pelos vídeos de apoio ao exército nas redes sociais, foi raptada e executada em público por alegados jihadistas, na região de Tombuctu, no norte do país, que a acusavam de filmá-los para entregar as imagens ao exército do país, anunciaram as autoridades locais, citadas pela agência Reuters.

Na casa dos 20 anos e com mais de 100 mil seguidores no TikTok, os relatos indicam que a jovem foi sequestrada na quinta-feira enquanto estava num mercado. Ao anoitecer do dia seguinte, “os mesmos homens trouxeram-na de volta à Praça da Independência de Tonka e executaram-na diante de uma multidão“, afirmou Yehia Tandina, presidente da região de Tombuctu, à Associated Press. O autarca avançou, também, que a jovem já tinha recebido ameaças de morte devido às suas publicações.

Por seu turno, o irmão da vítima garantiu que os raptores acusavam Cissé de transmitir informações ao exército, nomeadamente de filmar os combatentes e entregar as imagens aos militares. “Ela foi detida na quinta-feira pelos jihadistas. Disseram que ela informava as forças armadas sobre os seus movimentos. No dia seguinte, levaram-na de mota até à praça e fuzilaram-na. Eu estava no público”, afirmou.

A televisão estatal lamentou a morte, defendendo que Cissé “apenas procurava promover a sua comunidade e encorajar o exército nas suas missões de proteção”. Também a União Africana declarou “profunda preocupação com o agravamento rápido da situação”, condenou os ataques contra civis e afirmou estar pronta a apoiar o país.

Até ao momento, nenhum grupo reivindicou oficialmente a execução de Mariam Cissé, mas Tonka e áreas próximas são controladas há muitos anos pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al Qaeda.

O Mali é atualmente governado por uma junta militar. Desde 2012 que o país enfrenta uma crise de segurança marcada pela presença de grupos jihadistas ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico. Nas últimas semanas, o JNIM, bloqueou as importações de combustível, que afetou todo o país, agravando a situação do regime militar. O Estado foi obrigado a fechar escolas e inclusivamente a suspender colheitas em várias regiões.