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O Governo ucraniano afastou esta quarta-feira o ministro da Justiça, depois de este ter sido implicado num alegado esquema de cobrança de comissões na empresa nacional de energia atómica, revelado na segunda-feira pela agência anticorrupção do país.

“Esta manhã realizámos uma reunião extraordinária do Governo. Tomámos a decisão de afastar Herman Galushchenko do desempenho das suas funções de ministro da Justiça“, escreveu a primeira-ministra, Yulia Sviridenko, na rede social X.

Horas depois, a ministra da Energia ucraniana, Svitlana Hrynchuk, apresentou também esta quarta-feira. “Escrevi uma carta de demissão. O cargo nunca foi um fim em si mesmo para mim”, anunciou a governante nas redes sociais, segundo a agência de notícias Ukrinform.

Svitlana Hrynchuk alegou que não houve quaisquer violações da lei no âmbito da sua atividade profissional. “Quanto às especulações relativas às minhas relações pessoais, qualquer especulação sobre este tópico é inapropriada. Deve haver um limite para tudo”, acrescentou.

Sobre o ministro da Justiça, o parlamento ucraniano iniciou o processo de demissão de Galushchenko, que, de acordo com uma investigação do Gabinete Anticorrupção da Ucrânia (NABU), esteve envolvido, enquanto ministro da Energia, numa rede que obteve pelo menos 100 milhões de dólares (86 milhões de euros) em comissões relacionadas com contratos adjudicados a empresas privadas por uma filial da empresa estatal de energia atómica Energoatom.

A vice-ministra Liudmila Sugak vai substituir Galushchenko, que desempenhou funções como ministro da Energia até julho.

A Procuradoria Especial Anticorrupção disse na terça-feira ao tribunal que o alegado cabecilha, o antigo sócio do Presidente Volodymyr Zelensky e proprietário de 50% da produtora que este fundou, o empresário Timur Mindich, tinha influência direta sobre Galushchenko e sobre o então ministro da Defesa, Rustem Umerov.

Umerov, além de atual chefe do Conselho de Segurança Nacional, também chefiou a equipa de negociação da Ucrânia nos últimos contactos com a Rússia.

Vice-presidente da Energoatom afastado

A primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, anunciou também que o vice-presidente da Energoatom — a empresa estatal no centro do escândalo de corrupção que está a manchar a imagem do governo da Ucrânia — foi afastado do cargo.

No Telegram, Yulia Svyrydenko assinalou que, “com bases nos documentos” recebidos pela Agência Nacional Anti-Corrupção (NABU), o Governo “aprovou a decisão de suspender temporariamente o vice-presidente e membro do conselho de administração, Jakob Hartmut”.

O presidente interino da Energoatom também foi instruído a “destituir Dmitry Basov”, que foi detido esta quarta-feira e era o diretor-executivo da empresa, juntamente com outros responsáveis pelo caso.

A primeira-ministra realçou que se durante a investigação da NABU se concluir o “envolvimento de outros” responsáveis no caso de corrupção, os mesmos serão afastados do cargo.