Duas semanas depois do escândalo que envolveu a Shein, o Governo francês denunciou à justiça que outras seis plataformas de comércio online estão também envolvidas na venda de produtos ilegais, como armas ou bonecas sexuais, e não respeitam a filtragem de menores.

Segundo revelou o ministro do Comércio francês, Serge Papin, ao Le Parisien, a Direção-Geral da Concorrência, Consumo e Repressão das Fraudes (DGCCRF) identificou que a AliExpress e a Joom vendem também bonecas pedopornográficas e que a Wish, Temu, AliExpress e eBay “vendem armas de categoria A, como catanas”.

O ministro acrescentou que outras plataformas como a Amazon, “não respeitam as suas obrigações de filtragem de menores perante imagens de carácter pornográfico”, sublinhando que estas falhas representam uma violação grave das regras destinadas a proteger os consumidores, em particular os mais jovens.

No início de novembro, a Shein foi proibida em França, após terem sido detetadas “bonecas sexuais com aparência infantil” à venda na plataforma, que não tem censura a menores de idade. O caso ganhou dimensão pública não só pela natureza do produto em causa — considerado pelas autoridades francesas material de carácter pedopornográfico —, mas também porque aquilo que seria um momento estratégico de afirmação da marca chinesa (abertura da primeira loja física do mundo, em Paris), transformou-se numa crise de imagem e num problema de ética.

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Os anúncios, que entretanto foram removidos, apresentavam figuras com proporções corporais e expressões faciais que remetiam para a imagem de crianças, algumas a segurar peluches. As bonecas eram dirigidas a adultos e chegavam a ser vendidas por valores superiores a 600 euros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, considerou a que a venda dos produtos considerados materiais pedocriminosos é “inaceitável” e questionou a invasão do mercado nacional e europeu de produtos falsificados. “Isto é totalmente inaceitável e levanta a questão, de forma mais geral, de como o mercado único europeu, incluindo o nosso mercado interno, está a ser invadido por produtos falsificados”, disse, na altura, Barrot num vídeo publicado na rede social X.