Quatro homens, com idades entre os 21 e 23 anos, que pertencem à rede internacional de Clubes Ativos (grupos neonazis compostos por praticantes de artes marciais) foram condenados a penas de prisão entre os seis meses e os três anos por crimes de ódio devido a três agressões com motivação racial que realizaram em Estocolmo na noite de 27 de agosto deste ano, noticiou a imprensa sueca.

Num período de apenas 30 minutos, os homens atacaram três pessoas, segundo a acusação, “com base na sua origem étnica”, tendo pelo menos dois deles sido vistos a fazer saudações nazis. O procurador, Gustav Andersson, descreveu os factos como “atos de violência totalmente gratuitos“, acrescentando que um dos homens foi ainda condenado por vandalismo, nomeadamente por ter desenhado um símbolo de extrema-direita na montra de uma loja.

Em comunicado, o tribunal distrital de Estocolmo afirmou que “pelo menos dois dos homens fizeram a saudação de Hitler durante a noite” em questão e que “todas as vítimas têm uma origem étnica diferente da dos arguidos”. A decisão judicial conclui que todos os crimes pelos quais os homens foram condenados tinham motivação de ódio. O procurador adiantou ainda que, durante buscas domiciliárias, apreenderam “material e símbolos que mostram que os quatro têm ligações a um movimento de extrema direita”.

Entre as vítimas dos ataques está o sírio Mohammad Aluaudt Allah, de 42 anos, que foi violentamente agredido no centro de Estocolmo. Os atacantes riam enquanto o pontapeavam e acabou por sofreu uma concussão e partir os dentes. Disse ter visto a Suécia como uma “terra de paz”, mas agora já não consegue sair à rua “sem sentir pânico”. Acabou por deixar o país, sublinhando: “Tenho orgulho em ser cidadão sueco, mas neste momento é difícil estar na Suécia. Amo a Suécia, mas não sei se a Suécia me ama“.

Durante o julgamento, uma das vítimas emocionou-se e afirmou que a agressão representou “o momento mais baixo” da sua vida. Os acusados negaram todos os crimes, com exceção do terceiro e último ataque, que ficou registado por câmaras de vigilância, alegando terem agido em legítima defesa.

O advogado das vítimas, Elias Bulale, afirmou que os três homens sofreram muito com as agressões e com todo o processo para levar os agressores a tribunal, sublinhando que um deles ficou impossibilitado de trabalhar após o ataque e que todos se sentiram inseguros e assustados com o que lhes aconteceu.

O CVE, centro sueco dedicado à prevenção do extremismo violento, afirmou que existiriam cerca de dez clubes ativos no país a realizar atividades regulares, destacando-se os White Boys, em Estocolmo, e o Gym XIV, na região de Värmland, junto à fronteira com a Noruega, ambos com ligações a grupos na Europa e nos Estados Unidos.

Maria Öhman, diretora adjunta interina do CVE, explicou que “”os apoiantes dos Clubes Ativos dedicam-se a atividades como artes marciais mistas para desenvolverem uma forte capacidade física para usar a violência” e que estes clubes dão igualmente grande importância às redes sociais para recrutar novos membros. Para contrariar estas dinâmicas, defendeu que é necessária “uma cooperação estreita e forte coordenação” entre municípios, polícia local e escolas.