Durante a noite de quinta-feira, a Guarda Costeira notificou os funcionários com uma atualização das normas internas: as suásticas deixariam de ser consideradas “símbolos de ódio”, e passariam a ser “potencialmente divisíveis”. Esta insígnia, que é frequentemente associada à ideologia Nazi é um dos vários símbolos que foram revistos pelas autoridades norte-americanas numa nova política que deveria entrar em vigor no próximo mês, avança o Washington Post. Com esta medida, estes símbolos deixariam de ser estritamente proibidos em áreas controladas pela Guarda.

A partir de dia 15 de dezembro a representação de “uma forca, uma suástica e quaisquer símbolos ou bandeiras cooptados ou adotados por grupos baseados no ódio como representações de supremacia, intolerância racial ou religiosa ou outros preconceitos” vão baixar de estatuto de alarme na política interna da Guarda Costeira dos EUA, dizia a nota. Contudo, esta nova medida durou pouco tempo.

Se no final do dia de quinta-feira Lunday enviou um email a todos os funcionários a alterar a classificação destes símbolos “proibidos” e a dar conta da alteração de estatuto que retira a obrigatoriedade da remoção destas representações, na manhã de sexta-feira tudo voltou ao normal. A alteração à alteração veio poucas horas após a intenção ter sido noticiada pela imprensa norte-americana e, por isso, as suásticas vão manter-se classificadas como símbolo de ódio.

Com esta mudança inicialmente anunciada, as autoridades passariam a ter um limite de 45 dias para denunciar a exposição de uma suástica, por exemplo, enquanto no regulamento anterior — e novamente atual —, ao avistar estes símbolos, os funcionários não tinham constrangimentos temporais para fazer a denúncia, mas existia a recomendação geral para o fazer “imediatamente” após observarem um potencial “incidente de ódio”.

Neste sentido, o conceito de “incidente de ódio” deixaria também de estar incluído na política interna da Guarda Costeira. “Condutas anteriormente tratadas como potenciais incidentes de ódio, incluindo aquelas envolvendo símbolos amplamente identificados com opressão ou ódio, são processadas como denúncias de assédio”, cita o Washington Post.

De acordo com o jornal, todos os serviços militares estão a rever as suas políticas internas de assédio na sequência da nova diretriz apresentada pelo Secretário de Defesa, Pete Hegseth. Apesar de não pertencer à tutela, este serviço tem vindo a alinhar os seus códigos de conduta com as políticas e sugestões avançadas pela administração de Donald Trump. Ainda assim, nem a Força Aérea nem o Exército planeiam qualquer mudança na designação das suásticas.

Atualmente, estas duas forças proíbem explicitamente “exibir conscientemente acessórios, palavras ou símbolos em apoio a atividades extremistas ou em apoio a grupos ou organizações que apoiam atividades extremistas, tais como bandeiras, roupas, tatuagens e autocolantes, seja dentro ou fora de instalações militares”.

Um funcionário da Guarda Costeira, sob a condição de anonimato, manifestou o seu desagrado com esta mudança do regulamento interno do serviço. “Não merecemos a confiança da nação se não temos clareza sobre a divisão causada pelas suásticas”, escreve o jornal.