Uma organização não governamental (ONG) especializada na divulgação de fugas de informação indicou, na quarta-feira, ter publicado online dados relativos a mais de 41 mil funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

A Distributed Denial of Secrets (DDOS) afirmou ter recolhido estas informações sensíveis junto de um grupo de hackers conhecido como Department of Peace, que criou a ferramenta Icepick, que permite pesquisas detalhadas sobre nomes, escritórios e funções dos funcionários.

“Este conjunto de dados é enorme, tanto pela dimensão como pelo impacto”, afirmou a ativista Maia Arson Crimew, num comunicado da DDOS.

“Oferece uma visão sem precedentes da estrutura organizacional do Departamento de Segurança Interna, revelando quem faz o quê no seio de várias agências do DHS (Segurança Interna), incluindo o ICE (polícia de imigração)“, acrescentou a ativista.

O DHS e o ICE estão no centro de uma repressão em matéria de imigração ordenada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início do segundo mandato, em janeiro de 2025.

A cofundadora da DDOS, Emma Best, classificou a fuga de informação como extraordinária. Os dados “identificam os responsáveis encarregados de supervisionar as operações clandestinas e sob disfarce, a caça aos informadores levada a cabo pelo Governo (…) bem como o pessoal-chave dos programas de transferências forçadas e de expulsões do DHS, que não param de se intensificar”, de acordo com a ONG.

A repressão levou à detenção e expulsão de milhares de pessoas sem documentos, tendo também cidadãos norte-americanos sido apanhados nesta rede.

Em setembro, o DHS anunciou o lançamento de uma “ofensiva nas cidades-santuário”, conhecidas por limitar a cooperação entre as forças de ordem locais e as autoridades federais, numa altura em que a Administração Trump intensificava a campanha contra a imigração.