O funeral de Haytham Ali Tabtabai, o mais alto chefe das forças do grupo xiita libanês Hezbollah, levou uma grande multidão de apoiantes às ruas de Beirute esta quarta-feira. O líder militar foi morto numa operação das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) este domingo e, num discurso na cerimónia desta segunda-feira, o líder do conselho executivo Ali Daamoush deixou um aviso que implica uma eventual resposta do grupo.
O caixão coberto pela bandeira amarela e verde do Hezbollah foi carregado pelos apoiantes que encheram as ruas do sul da cidade. O corpo do líder terá sido enterrado num cemitério nos subúrbios da capital libanesa, segundo a agência Associated Press, onde os membros do grupo costumam ser sepultados.
Segundo noticiou a Reuters, na rua, gritava-se em tom de revolta, com os apoiantes do Hezbollah a prometerem não deixarem de lutar: “Não pousaremos as nossas armas, não deixaremos a nossa terra!”
Quem é Haytham Abu Ali Tabatabai, o chefe militar do Hezbollah morto por Israel em Beirute?
“Querem que nos rendamos para que possam entrar nas nossas casas? Viram o que aconteceu em Gaza? O que é que eles fizeram? Nada”, disse um apoiante do grupo à AP.
Também Fatima Shehadeh, que também saiu às ruas para homenagear o líder militar, afirmou que a luta iria continuar, “não importa quanto sangue seja derramado”. “Nunca nos renderemos e nunca entregaremos as armas da resistência”, prometeu.
Da rua para o púlpito, o xeque Ali Daamoush, que lidera o conselho executivo do Hezbollah, manteve o tom e deixou um forte aviso a Israel. “Os sionistas deverão estar preocupados, pois cometeram um crime grave contra a resistência e contra o Líbano”, avisou, dizendo ainda o grupo recusa negociar enquanto o cessar-fogo anteriormente atingido não for respeitado, recusando analisar quaisquer propostas.
Um eventual desarmamento do Hezbollah, que estado na base da pressão israelita e norte-americana ao governo de Beirute, também foi rejeitado pelo líder do Hezbollah, que apela ao estado central que se imponha.
“É dever do Estado defender os seus cidadãos e a sua soberania. O governo precisa elaborar planos para isso e rejeitar imposições e pressões estrangeiras.”, afirmou Daamoush.
Cerimonia sob vigilância de drones israelitas e relatos de ataques
Ao mesmo tempo que a multidão percorria as ruas, a imprensa libanesa, citada pelo Times of Israel, noticiava que drones israelitas sobrevoaram a baixa altitude os subúrbios do sul onde o funeral decorria. Já o órgão noticioso Al-Akhbar tinha avançado que as forças israelitas atacaram a zona de Yaroun, no sul do Líbano.
عدد من المسيرات المسلحة الواضحة تحلق فوق الضاحية الجنوبية تزامناً مع التشييع pic.twitter.com/7P0RHISUlX
— مصدر مسؤول (@fouadkhreiss) November 24, 2025