O ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros considerou esta terça-feira a Cimeira União Africana — União Europeia um sucesso, sublinhando que a Europa “despertou para a causa portuguesa” de uma cooperação estreita entre os dois continentes.
Paulo Rangel falava aos jornalistas à margem do último dia da 7.ª Cimeira UA — UE, iniciada segunda-feira em Luanda, centrada no lema “promover a paz e a prosperidade através de um multilateralismo eficaz”.
O governante destacou o “grande sucesso” do encontro, quer pela participação de líderes africanos e europeus, quer pela relevância dos assuntos discutidos. “Isto mostra que a Europa está a despertar para aquilo que sempre foi uma causa portuguesa: a ideia de que os continentes europeu e africano têm de estar profundamente articulados e devem cooperar”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa, realçando que esta aproximação foi “o resultado mais importante da cimeira”.
“O reforço da relação entre a Europa e a África, em particular entre a União Europeia e a União Africana, sai altamente fortalecido desta cimeira“, declarou o ministro, considerando também “uma vitória” da presidência angolana na União Africana.
Sobre os temas debatidos pelos líderes, apontou as questões da paz e segurança e o apoio europeu à criação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, que, no seu entender, “representa uma grande oportunidade para a prosperidade e o crescimento económico”.
O responsável governamental disse esperar que este espaço esteja plenamente operacional até 2030.
Em debate estiveram ainda temas como o acesso aos mercados europeus e a mobilidade e migrações, com o ministro a destacar o acordo para “estimular profundamente a imigração regulada e legal e combater o tráfico de pessoas”.
O investimento europeu em África foi outro ponto em análise, área na qual Portugal está “extremamente interessado”, nomeadamente no que diz respeito à educação e à formação profissional, que considerou decisiva para integrar jovens africanos no mercado de trabalho e criar valor económico e social.
Questões logísticas e corredores de transporte estiveram igualmente em discussão, com Rangel a apontar como exemplo o Corredor do Lobito, projeto emblemático do mecanismo europeu Global Gateway, que considerou ter “enorme potencial de alavancagem das economias africanas”, tanto na redução de custos logísticos como no reforço das cadeias de abastecimento e das ligações ferroviárias, portuárias e aeroportuárias.
A reestruturação da dívida foi outro dos temas debatidos no encontro.
A reunião de alto nível foi copresidida pelo Presidente de Angola, João Lourenço, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. A União Europeia esteve representada também pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a União Africana pelo presidente da Comissão, Mahmoud Ali Youssouf.
Oitenta delegações marcaram presença na cimeira. A União Europeia é composta por 27 países, incluindo Portugal, que esteve representado na cimeira pelo primeiro-ministro e pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. A União Africana é formada por 55 nações, incluindo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Pela UA estiveram presentes 29 chefes de Estado e de Governo ou seus representantes, entre eles o Presidente de Moçambique, o primeiro-ministro de Cabo Verde e o chefe de Estado de Angola.