O Governo brasileiro indicou ter recebido com preocupação o golpe de Estado na Guiné-Bissau e apelou a “todas as forças políticas” para que procurem o “diálogo pacífico”. Também o Presidente da República timorense reagiu, pedindo aos líderes do país para colocarem o interesse nacional acima de tudo.
“Governo brasileiro recebe, com preocupação, a declaração do ‘Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública’ em que afirma haver assumido o poder na República da Guiné-Bissau”, frisou na quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores do Brasil no comunicado intitulado de “Golpe de Estado na Guiné-Bissau”.
Na mesma nota, o Governo brasileiro lamentou “a suspensão arbitrária das eleições legislativas e presidenciais” e apelou “a todas as forças políticas da Guiné-Bissau que busquem a via do diálogo pacífico com vistas ao retorno à ordem constitucional“.
Por seu turno, o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, pediu esta quinta-feira aos líderes e instituições da Guiné-Bissau para colocarem o interesse nacional acima de tudo e protegerem o processo eleitoral, na sequência da tomada do poder pelos militares naquele país africano.
“Apelo, neste momento, a todos os líderes e instituições da Guiné-Bissau que coloquem o interesse nacional acima de tudo, que rejeitem qualquer forma de violência e que defendam a ordem constitucional que salvaguarda a vontade do povo”, afirmou o chefe de Estado timorense, em comunicado divulgado à imprensa.
José Ramos-Horta, que foi representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, entre janeiro de 2013 e junho de 2014, disse também que o “processo eleitoral deve ser protegido”. “Exorto todas as partes a aguardarem os resultados oficiais das eleições e a trabalharem em conjunto pela paz e pela estabilidade”, pediu o Presidente timorense e prémio Nobel da Paz.
O chefe de Estado manifestou também a disponibilidade de Timor-Leste apoiar em conjunto com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e a comunidade internacional “quaisquer esforços diplomáticos destinados a restaurar a calma, proteger a ordem constitucional e assegurar o bem-estar do povo guineense”.
“A Guiné-Bissau exerce atualmente a Presidência rotativa da CPLP, um papel que implica a responsabilidade de promover os valores fundamentais da organização: cooperação, solidariedade e diálogo construtivo entre as nações lusófonas”, salienta-se também no comunicado.
Os militares guineenses anunciaram na quarta-feira ter tomado o poder, um dia antes da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau anunciar o resultado das eleições gerais, realizadas no domingo.
O autodenominado Alto Comando Militar informou que depôs o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e que encerrou, “até novas ordens, todas as instituições da República da Guiné-Bissau”. Informa ainda que estão suspensas “as atividades de todos os órgãos de comunicação social”, assim como decidiu “suspender imediatamente o processo eleitoral em curso”.
Os guineenses votaram no domingo em eleições gerais, presidenciais e legislativas, tendo sido anunciada para esta quinta-feira a divulgação dos resultados, com o candidato da oposição Fernando Dias a reclamar vitória na primeira volta contra o atual Presidente, que concorreu a um segundo mandato.
Os militares disseram reagir “à descoberta de um plano em curso de destabilização do país”, atribuído a “alguns políticos nacionais com a participação de conhecidos barões de droga nacionais e estrangeiros”. O plano consistiria ainda na “tentativa de manipulação dos resultados” das eleições gerais de domingo.