A transição para uma economia circular que promova a utilização eficiente de recursos, um impacto neutro no clima, e que garanta a proteção da biodiversidade é uma das prioridades da União Europeia. Nesse sentido, têm vindo a surgir no mercado soluções cada vez mais inovadoras e amigas do ambiente para dar resposta a problemas relacionados com o uso de recursos, a gestão de resíduos e o impacto ambiental das embalagens.

Entre essas soluções, destacam-se os bioplásticos, materiais que prometem transformar a forma como produzimos, utilizamos e reciclamos, mas que ainda levantam muitas dúvidas e desafios no caminho para uma economia circular. Afinal, bioplásticos pode referir-se tanto à origem do material, como à capacidade de este se biodegradar sob determinadas condições.

Por isso, para responder a todas as questões que possam surgir, a Sociedade Ponto Verde (SPV) lançou um guia sobre bioplásticos – o primeiro em Portugal -, que pretende descomplicar conceitos, esclarecer mitos e apoiar as empresas na transição para soluções mais sustentáveis.

Bioplásticos: o guia que responde a mil e uma questões

Assumindo, mais uma vez, o seu papel de liderança no debate sobre o futuro dos materiais e embalagens sustentáveis, a SPV compilou num único documento, e acessível a todos, as principais dúvidas sobre os bioplásticos e respetivas respostas à luz da melhor informação disponível, com o objetivo de ajudar as empresas embaladoras a compreender e tirar o melhor partido deste material.

Disponível através do Ponto Verde Lab, o hub de inovação da SPV, este guia reúne informação científica e prática sobre os diferentes tipos de bioplásticos, o seu enquadramento legal e o seu papel no futuro das embalagens. Mais do que um documento técnico, trata-se de uma ferramenta útil e cientificamente correta, que ajuda à tomada de decisões mais informadas e conscientes, principalmente no âmbito das opções de design e conceção de novas embalagens.

Melhorar o perfil ambiental das embalagens

As empresas embaladoras estão cada vez mais empenhadas em aplicar conceitos de ecodesign na conceção das suas embalagens. No entanto, a escolha do material mais adequado é uma decisão complexa face à grande variedade de opções que existem no mercado e da inovação constante.

Neste caminho, os bioplásticos, que representam uma alternativa ao plástico convencional, estão a ganhar cada vez mais expressão, nomeadamente em aplicações de embalagem. Estima-se, aliás, que nos próximos anos haja um aumento muito significativo na capacidade global de produção deste material, contribuindo assim para o alcance do objetivo do Regulamento Europeu sobre embalagens e resíduos de embalagens (PPWR)1. Recorde-se ainda que uma das metas do PPWR é de que todas as embalagens na UE devem ser reutilizáveis ou recicláveis até 2030.

0,5%

Dos plásticos colocados no mercado, a nível global, são de base biológica, compostáveis ou biodegradáveis.

2,47

Milhões de toneladas produzidas em 2024 em todo o mundo

5,73

Milhões de toneladas que se estima virem a ser produzidas em 2029 em todo o mundo

Este crescimento esperado poderá ter a ver com o facto de os bioplásticos serem vistos como opções mais sustentáveis, face ao plástico tradicional. No entanto, para que a sua utilização seja realmente vantajosa em termos ambientais, é necessário clarificar-se quais as aplicações preferenciais para este tipo de materiais, bem como as suas condições ideais de fabrico, reciclagem e eliminação. E este é precisamente um dos pontos em que o novo guia da SPV dá uma ajuda preciosa.

1- REGULAMENTO (UE) 2025/40 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO
de 19 de dezembro de 2024
relativo a embalagens e resíduos de embalagens

O que são bioplásticos?

O termo “bioplástico” é bastante abrangente, aplicando-se a vários tipos de plástico. Pode referir-se à origem do material, ou então à capacidade de este se biodegradar em fim de vida: duas características diferentes e independentes, mas que são muitas vezes confundidas. Assim, os plásticos de origem biológica nem sempre são biodegradáveis e os plásticos biodegradáveis nem sempre são de origem biológica, ou de fontes renováveis.

Em função da sua origem e biodegradabilidade, os bioplásticos podem ser classificados em três tipos:

*   Origem biológica: são derivados de matérias-primas de origem biológica, podendo, por isso, contribuir para a redução das emissões de carbono. Não são biodegradáveis e são quimicamente equivalentes às versões de origem fóssil. No entanto, a sua reciclagem é possível, desde que seja garantida a recolha seletiva deste tipo de bioplástico;

*   Origem biológica e biodegradável: também derivam de matérias-primas biológicas. A diferença é que, sendo biodegradável e/ou compostável, este tipo de bioplástico não deve ser gerido juntamente com os plásticos convencionais;

*   Origem fóssil e biodegradável: são derivados de matérias-primas de origem fóssil, tal como os plásticos convencionais.

Cada uma destas tipologias tem características distintas, que as diferenciam em termos de produção do material e de gestão adequada dos resíduos em fim de vida, que é um dos maiores desafios relacionados com os bioplásticos.

As embalagens produzidas a partir de bioplásticos devem ter indicação da forma correta de deposição dos resíduos para garantir que, no caso dos plásticos biodegradáveis ou compostáveis, estes não sejam descartados no ambiente, prejudicando os ecossistemas, mas também que não contaminem os fluxos de reciclagem já existentes.

Plásticos biodegradáveis vs plásticos compostáveis

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Plásticos biodegradáveis: degradam-se através da ação de microrganismos e enzimas, como fungos e bactérias, convertendo-se em dióxido de carbono e água, em nova biomassa microbiana, em sais minerais e, na ausência de oxigénio, em metano.

Plásticos compostáveis: são um subconjunto de plásticos biodegradáveis, concebidos para serem degradáveis através de processos biológicos que ocorrem em condições controladas durante a compostagem ou digestão anaeróbica.

Com mais de 7.000 empresas clientes, a SPV volta assim a reforçar o seu papel como líder do setor, contribuindo para um debate informado e uma inovação verdadeiramente sustentável para que possamos, progressivamente, dispor de embalagens mais sustentáveis e resíduos mais fáceis de gerir e reciclar.

O lançamento do guia “Os bioplásticos – considerações e impacto na cadeia de valor das embalagens” coincide com a Semana Europeia de Prevenção de Resíduos, que decorre até ao próximo dia 30 de novembro. O guia sobre bioplásticos está disponível para download no site Ponto Verde Lab após o registo na área reservada myLab.