O comandante dos Bombeiros Voluntários do Fundão, José Sousa, apresentou esta sexta-feira a demissão, avançou a SIC Notícias e confirmou o Observador. A decisão surge três dias depois de a Polícia Judiciária ter detido 11 elementos desta corporação, suspeitos de terem praticado dois crimes de violação e um de coação sexual contra um outro bombeiro, de 19 anos. E foi comunicada depois de o próprio se reunir com o comando desta corporação e todo o corpo ativo na passada quinta-feira, lê-se no comunicado dos bombeiros do Fundão a que o Observador teve acesso e que foi, mais tarde, divulgado nas redes sociais.
No documento assinado pelo até então comandante, José Sousa garante nunca ter tido conhecimento de qualquer situação semelhante à denunciada pelo jovem de 19 anos. “É fundamental afirmar, de forma clara e inequívoca, que nunca tive conhecimento prévio de quaisquer atos semelhantes por parte dos arguidos, dentro ou fora da instituição“.
José Sousa exercia funções de comandante há uma década e liderava uma corporação composta por 161 bombeiros: 156 no ativo e cinco no comando. “Quero deixar uma mensagem absolutamente clara: como comandante, estive sempre próximo, vigilante e empenhado na proteção da vítima. Não hesitei, não hesitarei”, garante no documento em questão.
“Agi sempre em defesa da vítima e da instituição, cumprindo todos os deveres, prazos e diligências que me foram possíveis. Mas sei também que o lugar de comandante exige uma confiança absoluta, sem sombras nem dúvidas.” Reconhecendo que era “o primeiro e último responsável” por tudo o que acontece no quartel do Fundão, José Sousa sublinha ainda que nunca tentou fugir a essa responsabilidade.
Ainda no que toca à decisão de se demitir, José Sousa escreve que o faz “com tristeza, mas também com a consciência tranquila de quem tudo fez para defender a honra da instituição e o bem-estar de quem dela depende”.
O Observador tentou contactar o comandante, mas até ao momento não obteve resposta. A notícia da demissão acontece no mesmo dia em que o Correio da Manhã dá conta de que, no passado, o principal suspeito de ter agredido sexualmente o elemento de 19 anos da corporação de Bombeiros do Fundão já teria praticado atos semelhante com outro colega do quartel — um caso que, segundo o CM, o atual comandante da corporação teria procurado omitir.
Notícia atualizada às 14h48 com mais informação