Os reguladores norte-americanos estarão a levar “muito a sério” as alegações de que alguns dos principais bancos dos EUA terão apoiado a atividade criminal de Jeffrey Epstein. Em 2019, o investidor norte-americano foi acusado de tráfico sexual de menores.
Segundo o jornal Guardian, as alegações feitas sobre o tema estarão a ser analisadas pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC), o gabinete do controlador da moeda, e pela Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), a corporação federal de garantias de depósitos. O jornal britânico teve acesso a alguns dos documentos, em que seria referido a análise a uma carta da senadora democrata Elizabeth Warren. Nessa missiva, terão sido levantadas preocupações sobre um alegado apoio de banqueiros a Epstein.
Uma das pessoas visadas nessas alegações será Jes Staley, o antigo CEO do banco Barclays. Warren alega que terá protegido o acesso de Epstein ao sistema bancário no início dos anos 2000, quando ainda trabalhava no gigante JP Morgan. Em junho deste ano, Staley, de 68 anos, perdeu um recurso contra o regulador financeiro britânico, continuando banido do sistema bancário inglês por ter minimizado a sua relação com Jeffrey Epstein.
Publicamente, os reguladores não confirmam estas avaliações, mas o Guardian refere que terão afirmado à senadora democrata que irão agir contra qualquer possível má conduta. “Ainda que seja inapropriado comentar qualquer questão específica de supervisão em curso, levo muito a sério quaisquer alegações de irregularidades ou abusos por parte de bancos e executivos bancários”, afirmou o controlador da moeda, Jonathan Gould, numa carta enviada a Warren, que é a principal democrata na comissão do Senado dos EUA para assuntos bancários, habitacionais e urbanos.
A carta, datada de 17 de novembro, refere que “se qualquer tipo de atividade for identificada” o regulador seguirá o protocolo — recolher potenciais provas antes de escalar o tema para o gabinete do inspetor-geral da FDIC. Se for identificada alguma conduta fora do normal, poderá haver uma multa ou até um bloqueio ao trabalho no setor da banca norte-americana.
A FDIC e a OCC não responderam a um pedido de contacto, diz o Guardian “Os reguladores precisam de investigar e de responsabilizar os facilitadores de Epstein — e só acredito que estão a agir quando o vir. Os americanos merecem saber que os seu sistema bancário não facilitou os crimes perturbadores dos ricos e poderosos”, defendeu a senadora Elizabeth Warren declarou numa nota.
Já o JP Morgan não comentou diretamente a resposta dos reguladores, mas teceu um comentário em relação a Epstein: “Lamentamos qualquer ligação que tivemos a este homem, mas não o ajudámos a cometer estes atos hediondos”. O banco afirma que terminou a relação com Epstein “seis anos antes de ser detido por acusações de tráfico sexual”. “O governo federal tinha informações comprometedoras sobre os seus crimes que não partilhou connosco nem com outros bancos”, descreve o JP Morgan.