Volodymyr Zelensky e Emmanuel Macron reiteraram a sua convergência sobre a importância da presença e da influência da Ucrânia nas negociações de paz na guerra com a Rússia, designadamente na resolução das questões territoriais, sem esquecer as garantias de segurança para os ucranianos e para a própria Europa. Na conferência de imprensa realizada após o encontro no Palácio do Eliseu, em Paris, os dois chefes de Estado vincaram ainda a responsabilidade russa para um ponto final no conflito.
“Os EUA, a Ucrânia e todos os europeus querem a paz e esse é o objetivo central das negociações. Quando falamos de paz, cada um tem um papel a desempenhar. A Rússia começou com a agressão, a Ucrânia é a única com legitimidade para falar de território e é isso que é reconhecido pelo direito internacional”, afirmou o Presidente de França.
Segundo Macron, “não existe, em rigor, um plano finalizado sobre as questões territoriais” e garantiu que tal só poderá “ser finalizado pelo Presidente Zelensky”, lembrando ainda a viagem iminente do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, a Moscovo para um encontro com o Presidente russo, Vladimir Putin.
Le travail pour la paix se poursuit.
The work for peace continues.
???????????????? pic.twitter.com/31OgcnrO2s— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) December 1, 2025
O chefe de Estado francês salientou também que o encontro serviu para abordar as garantias de segurança e vincou a indispensabilidade da presença da Ucrânia e da União Europeia nas negociações: “Só podemos falar disso com os ucranianos sentados à mesa e com os europeus, como garante da segurança europeia, sentados à mesa. É importante que cada um tenha o seu papel bem definido”.
Questionado sobre a eventual utilização dos ativos russos congelados na reconstrução do território ucraniano, Emmanuel Macron garantiu igualmente que um plano sobre essa matéria “só poderá ser finalizado com os europeus sentados à mesa”, ao notar que os diferentes intervenientes estão ainda “numa fase preliminar” nessa discussão.
Nas declarações aos jornalistas, o Presidente francês considerou ainda que o Kremlin tem sido o principal obstáculo à paz e lembrou sucessivas recusas dos planos para o fim da guerra por parte do Presidente russo, Vladimir Putin. “Estão dispostos a parar o combate, a fazer a paz? Notei que já foram três, quatro vezes que os russos disseram não”, afirmou Emmanuel Macron, prosseguindo: “Por isso, não parecem muito ansiosos por fazê-lo”.
Zelensky admite que a “questão territorial será a mais difícil”
Pela segunda vez em Paris no espaço de duas semanas, e num momento particularmente sensível internamente em termos políticos e militares, Volodymyr Zelensky assumiu após o encontro no Palácio do Eliseu que a “questão territorial será a mais difícil” nas negociações de paz, face à profunda divergência entre ucranianos e russos relativamente à soberania dos territórios ocupados.
“A Rússia tem de pôr fim a esta guerra que desencadeou”, disse ainda Zelensky, considerando “muito importante” a conversa com o homólogo francês, acrescentando: “É preciso terminar esta guerra de forma digna e, se todos trabalharem honestamente pela paz, faremos o que for necessário pela Ucrânia, mas também pela Europa, pela América e pelos interesses a longo prazo do mundo democrático”.
We had a very productive discussion on key priorities with our European friends. The format is truly useful — a significant part of Europe together — and it greatly helps Europe defend our shared interests. Ukraine, France, the United Kingdom, Germany, Poland, Italy, Denmark,…
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) December 1, 2025
O Presidente ucraniano destacou igualmente a necessidade de assegurar “garantias sólidas de segurança” face a possíveis “novas agressões” da Rússia, depois da invasão do território ucraniano em fevereiro de 2022.
Por último, e perante um plano de paz de Washington — sob o impulso político do Presidente dos EUA, Donald Trump — que não afastará cedências territoriais ucranianas a Moscovo, Zelensky reiterou que as negociações não podem resultar num ‘prémio’ ao agressor na guerra.
“Temos também de garantir que a Rússia não tenha a impressão de que está a ser recompensada por esta guerra. É por isso que temos posições de princípio em relação às sanções, à responsabilidade por crimes de guerra e ao estatuto jurídico dos nossos territórios que estão hoje ocupados pelas forças russas”, referiu.
Macron e Zelensky realizaram também uma videoconferência em Paris com o enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia, Steve Witkoff, segundo fontes do Palácio do Eliseu.
Além de Witkoff, que seguirá para o encontro em Moscovo na terça-feira, Macron e Zelensky conversaram ainda com o negociador-chefe ucraniano, Rustem Umerov, oito líderes europeus, os presidentes do Conselho Europeu e da Comissão Europeia e o secretário-geral da NATO.