A Polícia Judiciária do Porto deteve esta quarta-feira oito pessoas, entre funcionários da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e alguns empresários do setor, durante a operação Puro Verde. Em causa estão suspeitas de corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e abuso de poder.

Em comunicado, as autoridades avançaram que a investigação começou em agosto, após uma denúncia que apontava para um alegado esquema de favorecimento a empresários do setor de produção e distribuição de vinhos verdes, através da “omissão dos deveres de fiscalização da origem e trânsito das uvas e seu depósito em adegas e produtores durante a vindima de 2025”. A PJ realizou 21 buscas domiciliárias e não domiciliárias, incluindo na sede da CVRVV.

O esquema colocava em causa “o processo de certificação dos vinhos com Denominação de Origem e Indicação Geográfica”. “O objetivo seria beneficiar certos operadores económicos através da oferta e aceitação de vantagens, tanto em bens como em dinheiro”, refere a Judiciária. Entre os detidos estão quatro elementos da Divisão de Fiscalização e Controlo da CVRVV e quatro empresários.

No âmbito da operação foram ainda constituídos 17 arguidos e apreendidos diversos bens e dinheiro, adiantou a PJ.

A investigação prossegue sob a direção da Polícia Judiciária do Norte e os detidos vão ser presentes a um juiz no Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial.

Comissão dos Vinhos Verdes garante colaboração “absoluta e interessada” com a PJ

A presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, Dora Simões, garantiu esta quarta-feira a colaboração “absoluta e interessada” com as autoridades após a instituição ter sido alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ), que deteve quatro funcionários.

“Colaboração absoluta a interessada. Temos interesse em que as coisas sejam averiguadas da melhor forma e o mais rapidamente possível”, disse esta quarta-feira Dora Simões à Lusa.

“Hoje [quarta-feira] de manhã, quando chegámos à Comissão, tínhamos a Polícia Judiciária na porta e estão a ser feitas buscas na comissão, e alguns elementos que trabalham na comissão foram detidos para averiguações”, descreveu Dora Simões à Lusa, que diz ter sido “absolutamente” apanhada de surpresa com a investigação.

Garantindo não ter “conhecimento de nada em particular”, Dora Simões assegurou que as autoridades terão “acesso a toda a informação de que necessitam para evoluir no processo”.

“Nós próprios também somos parte interessada em perceber o que é que existe, e se existe alguma coisa”, vincou, dizendo não ter ainda informações sobre a proveniência geográfica das empresas envolvidas.

Reconhecendo que este “é um momento exigente, difícil no setor do vinho” e que “é natural que possa haver uma situação de suspeição”, considerou que é obrigação da CVRVV “colaborar e prestar o melhor serviço para que, no melhor interesse da comissão e da Região dos Vinhos Verdes, se poder fazer essa averiguação”.

Questionada sobre se será tomada alguma medida sancionatória sobre os funcionários detidos, Dora Simões afastou, para já, essa possibilidade por desconhecer “o teor do processo”.

“Sabemos que tem a ver com a fiscalização, mas de resto não sabemos mais nada. Portanto, estamos a dar acesso a tudo o que nos é pedido para que possam averiguar o que for necessário”, concluiu.