Não foi uma derrota, mas foi um empate que soube a derrota. Esta quinta-feira, depois de estar a vencer o West Ham durante muito tempo, o Manchester United permitiu o empate da equipa de Nuno Espírito Santo e perdeu dois pontos, somando a quarta jornada consecutiva sem ganhar na Premier League. Uma série que, ao que parece, está a servir de gota de água para os adeptos dos red devils.

Logo depois do apito final em Old Trafford, mesmo sem que o resultado fosse uma derrota, muitos adeptos recorreram às redes sociais oficiais do Manchester United para escrever “Amorim out”, num lote de comentários em que imperava a ideia de que a paciência tinha terminado em relação ao treinador português. Mais tarde, foi a vez de uma das vozes mais respeitadas do universo do clube se juntar às críticas a Ruben Amorim, à equipa e às exibições.

Dalot tentou, mas o fim voltou a ser penoso: Manchester United empata com o West Ham em duelo de treinadores portugueses

“Quando marcaram o golo, estavam a jogar contra uma das três equipas do fundo da tabela e tiraram o pé do acelerador. Não podemos tirar mérito ao West Ham, porque mereceram o golo do empate. Cada vez que vejo esta equipa do Manchester United, desapontam. Não são eficazes e não foram ‘nojentos’ o suficiente para fazer o trabalho bem feito. As pessoas coçam a cabeça porque vêem a equipa a fazer progressos, a ganhar e a subir a quinto na Premier League. Vai existir muita frustração. Penso que tem havido muito desespero nos últimos três ou quatro jogos. São os problemas de sempre, não estão a fazer o suficiente”, disse Roy Keane, antigo capitão dos red devils, na Sky Sports.

Certo é que, com o empate com o West Ham, o Manchester United está agora no oitavo lugar da Premier League com 22 pontos — uma vitória, por exemplo, teria colocado a equipa de Ruben Amorim na quinta posição, com os mesmos pontos que o Chelsea e a três do Aston Villa. Depois do jogo, onde Diogo Dalot marcou o golo dos red devils, o treinador português estava naturalmente frustrado.

“Tivemos bons momentos e perdemos um pouco o controlo depois do golo. Devíamos ter fechado o jogo depois do 1-0. Estava tudo controlado, sabíamos disso. As bolas paradas podem ser um problema e perdemos muitas segundas bolas, eles estavam a ganhar os duelos. Temos de controlar este tipo de jogos. Devíamos ter sido melhores com a bola depois do golo”, começou por dizer, garantindo depois que a equipa “não está a andar para trás”.

“Quando tivemos a série de vitórias éramos perfeitos. Não éramos, éramos inconsistentes. Aos 83 minutos, o golo surge de uma bola longa nossa, tínhamos tudo sob controlo. Há segundas partes em que perdemos o controlo. No golo perdemos algumas segundas bolas, tentámos defender longe da baliza porque sabíamos que, num cruzamento, podiam ganhar um canto. temos de ser melhores nas segundas partes. Estamos a perder por causa das segundas bolas e às vezes não há homens na frente para ganharem a bola”, acrescentou.

A verdade é que, mesmo antes do empate com o West Ham, já existia uma decisão repetida e contínua de Ruben Amorim que incomodava os adeptos do Manchester United: a pouca ou nenhuma utilização de Kobbie Mainoo, jovem médio da formação dos red devils que era aposta de Erik ten Hag e que nunca teve muitas oportunidades com o treinador português. Mainoo voltou a ficar no banco esta quinta-feira, com Amorim a optar por lançar Lisandro Martínez, Manuel Ugarte, Leny Yoro, Patrick Dorgu e Mason Mount ao longo da partida, e até Paul Scholes saiu em defesa do inglês.

“O miúdo está a ser arruinado, não joga numa equipa que não consegue controlar um jogo de futebol. Odeio ver jogadores da formação a sair, mas talvez seja o melhor para ele neste momento. Já chega”, escreveu o antigo médio do Manchester United no Instagram. Já Amorim, novamente questionado sobre a pouca utilização de Kobbie Mainoo, manteve o discurso sensato apesar de sublinhar que lhe perguntam “sempre a mesma coisa”.

“Percebo o que estão a dizer, adoram o Kobbie, é titular com Inglaterra. Mas isso não significa que eu tenha de colocar o Kobbie quando considero que não tenho de colocar o Kobbie. A decisão é minha. Só quero ganhar. Tento colocar os jogadores sem olhar para quem é cada um, não me interessa isso, só tento colocar os melhores jogadores em campo. Não sei o que vai acontecer. Depende. Vejo o treino e, se for a melhor coisa para a equipa, coloco-o. É a única forma de responder”, terminou.