O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descreveu a Europa como politicamente fraca quanto à imigração e à Ucrânia, anunciou que apoiará líderes europeus alinhados com a sua visão de política externa e admitiu usar força militar para derrubar o regime venezuelano.
Numa entrevista ao jornal Politico, Trump denunciou que os líderes europeus “não sabem o que fazer”, acusando-os de exagerarem no politicamente correto e de falharem no controlo da imigração, situação que, na sua leitura, poderá levar ao desaparecimento de alguns países europeus enquanto Estados viáveis.
O chefe de Estado norte-americano classificou a Europa como um conjunto de nações “em decadência”, lideradas por responsáveis “fracos”, e apontou cidades como Londres e Paris como exemplos de sistemas sob pressão devido à imigração proveniente de África e do Médio Oriente.
“Quando permitem que milhões de pessoas entrem nos seus países, muitas dessas pessoas estão a cometer crimes terríveis”, disse o Presidente, alegando que países como a Alemanha e a Suécia estavam também a sofrer as consequências da política.
“Eu adoro a Suécia. Adoro o povo sueco. Mas eles passaram de um país sem criminalidade para um país com muita criminalidade agora”, alegou o líder. “A Alemanha estava livre de crimes, e a Angela [Merkel] cometeu dois grandes erros: imigração e energia”, acrescentou.
“O que eles estão a fazer com a imigração é um desastre. Nós tivemos um desastre a caminho mas eu consegui pará-lo”, disse ainda, concluindo que quem quer ver uma “Europa fraca” é Vladimir Putin.
Trump reagiu também às críticas do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que acusou Washington de interferir na vida democrática europeia, reiterando que irá apoiar explicitamente líderes e forças políticas europeias que partilhem a sua visão estratégica.
“Irei apoiar. Já apoiei pessoas que muitos europeus não apreciam”, assegurou, citando como exemplo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, elogiado pelas suas políticas de controlo de fronteiras, consonantes com o novo plano estratégico de política externa divulgado pela Casa Branca.
Rússia tem “vantagem” na guerra e Zelensky deve ler novo projeto, diz Trump
Sobre a guerra na Ucrânia, Trump considerou que a Rússia está numa posição mais forte do que Kiev e minimizou o papel dos líderes europeus no processo de paz, dizendo que “falam, mas não mostram resultados”.
O Presidente norte-americano lembrou ter apresentado recentemente um novo projeto de plano de paz, acrescentando que alguns responsáveis ucranianos o viram com bons olhos, e insistiu que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, deveria lê-lo, já que a Rússia é muito maior que a Ucrânia, algo que lhe dá uma “vantagem”.
“Se não lerem os acordos, os potenciais acordos, não é fácil com a Rússia, porque a Rússia tem a vantagem. E sempre teve. Eles são muito maiores. São muito mais fortes nesse sentido. Dou muito crédito ao povo da Ucrânia e às forças armadas da Ucrânia pela bravura e pela luta. Mas, sabe, em algum momento, o tamanho geralmente vence“, disse.
Na entrevista, Trump voltou ainda a defender a realização de novas eleições na Ucrânia, questionando a qualidade democrática do país num contexto prolongado de guerra.
“Acho que é um momento importante para realizar eleições. Eles estão a usar a guerra para não realizar eleições, mas acho que o povo ucraniano deveria ter essa escolha”, acrescentou o líder, apontando que “talvez ganhasse Zelensky”, mas admitiu não sabia “quem ganharia”.
“Eles não realizam eleições há muito tempo. Eles falam sobre democracia, mas chega a um ponto em que já não é uma democracia”, concluiu.
O Presidente dos EUA repetiu ainda a visão de Washington para o futuro da Ucrânia, dizendo que o “entendimento de que a Ucrânia não entraria na NATO” já existia antes de Putin ser Presidente da Rússia.
“Quando Zelensky foi lá pela primeira vez e se encontrou com Putin, ele disse: ‘Quero duas coisas. Quero a Crimeia de volta e seremos membros da NATO’. E ele não disse isso de uma forma muito amigável”, referiu ainda.
Trump não exclui mudança de regime à força na Venezuela
Sobre a situação nas Caraíbas, o Presidente norte-americano recusou excluir a possibilidade de recorrer a forças militares dos Estados Unidos na Venezuela, como parte do esforço para derrubar o regime de Nicolás Maduro.
“Não excluo, nem confirmo”, declarou, sublinhando que não pretende discutir publicamente estratégias militares, mas admitindo que consideraria o uso da força também noutros países da região, como o México e a Colômbia, no combate ao tráfico de droga.