A igualdade de género chegou à segurança dos utilizadores de veículos de transporte, cuja protecção em caso de acidente é desenvolvida com recurso a crash-test dummies, manequins repletos de sensores que, até aqui, exibiam exclusivamente formas e restantes características de homens. Agora chegou (finalmente) a esta ciência o dummy que há muito a indústria automóvel exigia, com formas e dimensões de uma mulher, além de ter em consideração as características do corpo feminino, género que tem 73% maior probabilidade de sofrer ferimentos graves num embate frontal, quando comparado com um homem, com as mulheres a terem igualmente mais 17% de probabilidade de morrer do que o seu parceiro.

Desenvolvido pela norte-americana Sierra Engineering, em 1949 surgiu o primeiro crash-test dummy, o Sierra Sam, que à época possuía um muito reduzido número de sensores destinados a medir as forças aplicadas aos pilotos da força aérea norte-americana pelos sistemas de ejecção dos assentos dos aviões de guerra. Em 1968, a General Motors encomendou uma versão do Sierra Sam mais evoluída e com um número de sensores reforçado, com o intuito de determinar as forças aplicadas nas diferentes partes do corpo do condutor e dos passageiros, bem como encontrar formas de atenuar os ferimentos e salvar vidas, graças aos dados recolhidos pelos dummies. Hoje, os modelos mais modernos e sofisticados estão equipados com mais de 200 sensores e exigem um investimento superior a 1 milhão de euros.

O primeiro “dummy mulher” foi desenvolvido e fabricado pela norte-americana Humanetics, com o secretário dos Transportes dos EUA, Sean Duffy, a fazer questão de participar activamente na apresentação do manequim destinado a salvar a vida das mulheres, apesar de ter nome de homem, ao ser denominado Thor 5F. De acordo com o fabricante, o novo dummy não se limita a ser uma versão mais pequena e leve de um modelo normal, tendo sido concebido de forma distinta dos pés à cabeça para representar os ocupantes femininos, muito diferentes ao nível do peito, do tórax e da pélvis.

A Humanetics avança que o Thor 5F (de percentil 5 e feminino, por oposição ao Thor 50M que representa um adulto com percentil 50 e masculino) possui grandes diferenças no que toca à anatomia, reflectindo a distribuição muscular e a massa das mulheres, além de características específicas das articulações. Os construtores de veículos podem agora adaptar, tanto a homens como a mulheres, os seus sistemas de segurança, dos pré-tensores dos cintos de segurança e limitadores de esforço às zonas deformáveis do chassi, de forma a reduzir as desacelerações a que os corpos são submetidos em caso de embate, com o objectivo de salvar a vida das mulheres que representam praticamente 50% dos condutores, dependendo do mercado.