A fuga dos assaltantes que roubaram as joias do Museu do Louvre, a 19 de outubro, poderia ter sido travada se tivesse acontecido “30 segundos depois”. É esta a conclusão que os senadores franceses ouviram esta quarta-feira, durante as audições sobre as falhas de segurança no museu. “Com apenas trinta segundos de diferença, os agentes da [empresa de segurança privada] Securitas ou os polícias poderiam ter impedido a fuga dos ladrões”, afirmou, citado pelo Le Monde, Noël Corbin, diretor da Inspeção Geral de Assuntos Culturais (IGAC), sublinhando que o lapso foi tão curto como decisivo.

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Corbin explicou que uma câmara exterior “registou perfeitamente a chegada dos ladrões, a instalação do elevador de carga, a subida dos dois homens e, minutos depois, a sua saída precipitada”, mas explicou que essas imagens “não estavam a ser vistas em direto” e que, quando um agente de segurança as abriu, “já era demasiado tarde, porque os ladrões tinham abandonado a galeria de Apolo”. O outro relator da investigação, Pascal Mignerey, responsável pela missão de segurança e auditoria do Ministério da Cultura, confirmou que nada falhou na gravação, apenas no acompanhamento das imagens em tempo real.

Na abertura da sessão, o presidente da comissão de Cultura do Senado, o senador Laurent Lafon, não poupou as críticas. As conclusões apontam, segundo o próprio, para “uma falha generalizada tanto do museu como da tutela na forma como encararam os riscos de segurança”. O roubo, afirmou, “não foi um acidente fortuito” nem fruto de “um cúmulo de azar”, mas sim o resultado de “decisões que não foram tomadas”, apesar de vulnerabilidades que “já tinham sido identificadas por vários trabalhos anteriores”.

Entre essas vulnerabilidades, há uma que surpreendeu particularmente os investigadores: a perda de informação importante durante a transição de presidência do Louvre, em 2021. Noël Corbin admitiu que a equipa ficou “muito surpreendida” com “o problema de transmissão dos relatórios de segurança” do museu. Como exemplo, citou uma auditoria realizada em 2019 pelo joalheiro Van Cleef & Arpels — que mapeava todas as fragilidades da galeria de Apolo — e que nunca chegou ao conhecimento da nova direção liderada por Laurence des Cars. A ausência de “memória institucional”, segundo o responsável, terá deixado o museu exposto.

No relatório mais recente da investigação, publicado em novembro, foram identificadas falhas significativas no sistema de segurança do edifício: há pelo menos uma década que se registam vários problemas relacionados com a segurança do museu, incluindo o uso de programas de software desatualizados e a utilização de palavras-passe demasiado simples.

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As audições decorrem numa fase particularmente delicada para o Louvre, que para além do impacto do roubo enfrenta agora o fecho de uma galeria na sequência de uma inundação provocada pelo rompimento de um cano.

A comissão do Senado continuará na próxima semana a analisar a segurança do Louvre. Na terça-feira será ouvido, pela primeira vez, o antigo presidente do museu, Jean-Luc Martinez. Um dia depois, na quarta-feira, regressará ao Senado a atual presidente, Laurence des Cars, para responder a novas questões sobre o sistema de segurança que herdou e sobre como se perdeu, pelo caminho, a informação que poderia ter impedido o golpe que abalou o Museu mais visitado de Paris.