Os diretores dos principais jornais e grupos editoriais juntaram-se para lançar um “alerta à democracia” e transmitir o seu “sinal de alarme” perante “o sério risco” de vastas áreas de Portugal ficarem sem acesso à imprensa escrita.
A pedra de toque deste apelo, feito em defesa da imprensa, é a crise da VASP, a única empresa de distribuição que ameaça deixar de distribuir jornais e revistas em oito distritos a partir do início do próximo ano. Esta decisão é justificada com as dificuldades financeiras crescentes de um negócio que também é afetado pela crise da imprensa e pela quebra generalizada das vendas em papel.
“Não podemos assistir a esta situação em silêncio”, diz o alerta que junta todos os diretores de jornais de informação generalista diária e semanários, bem como imprensa económica, revistas de notícias e de informação geral e jornais desportivos que são vendidos em banca em Portugal.
Lembram que há já publicações a serem impressas por empresas espanholas — dado o fecho das gráficas em Portugal —, o que traz dificuldades e constrangimentos, e apontam para a degradação da indústria da impressa e para “progressiva asfixia das cadeias de distribuição”.
O alerta é dirigido a toda a sociedade civil, mas com alguns destinatários destacados — responsáveis políticos, a nível do Estado central e das autarquias locais. Para estes 13 diretores, “deixar de ter jornais e revistas em zonas significativas do território nacional cortará o acesso de parte relevante da população às notícias profissionalmente validadas nas nossas redações”. Além de potenciar um desgaste da partilha dos grandes temas da atualidade.
Lembrando que para muitos portugueses, ler um jornal ou revista “é o único momento de contacto com a língua portuguesa escrita”, avisam que o fim da imprensa escrita “aumentaria ainda o perigo da desinformação e das fake news que grassa nas redes sociais”.
Referindo que o setor emprega “milhares de pessoas”, os diretores falam ainda em nome de jornalistas, técnicos, fotojornalistas, gráficos, produtores e outros profissionais “que terão o seu posto de trabalho em risco, como inevitável consequência da consumação desta quebra na cadeia de distribuição”.
Consideram que este é “um momento histórico” que exige a “nossa presença e nosso sinal de alarme”, apesar de ser mais cómodo limitarem-se a cumprir as rotinas diárias. E é em “defesa do jornalismo, mas sobretudo da democracia e liberdade” que dizem não poder ser “cúmplices silenciosos de um risco que pode ser evitado”. O alerta termina com o pedido de união de esforços para garantir que a imprensa escrita continua a chegar a todos os portugueses.
Assinam este apelo:
Filipe Alves – Diretor “Diário de Notícias”
Rafael Barbosa – Diretor “Jornal de Notícias”
Inês Cardoso – Diretora-geral editorial “Notícias Ilimitadas”
Pedro Ivo Carvalho – Diretor “Volta ao Mundo”
Luís Pedro Ferreira – Diretor “A Bola”
Rui Tavares Guedes – Diretor “Visão”
João Vieira Pereira – Diretor “Expresso”
David Pontes – Diretor “Público”
Mário Ramires – Diretor “Nascer do SOL”
Diana Ramos – Diretora “Negócios”
Bernardo Ribeiro – Diretor “Record”
Carlos Rodrigues – Diretor “Correio da Manhã”, “Sábado” e “Sábado Viajante”
Nuno Vieira – Diretor “O Jogo”